Cardeal português e rabino chefe de Roma conversaram sobre recursos espirituais e humanos «à prova da pandemia»

Cidade do Vaticano, 18 jan 2022 (Ecclesia) – D. José Tolentino Mendonça disse que “depois de cada catástrofe, surge uma revolução cultural”, num encontro com o rabino chefe de Roma, sobre recursos espirituais, humanos e a pandemia, no Museu Judaico na capital italiana.

“Deve emergir outra forma de ver o mundo. E a pandemia leva-nos para um novo nível de história”, disse o arquivista e bibliotecário da Santa Sé, divulga o portal ‘Vatican News’.

‘Os recursos espirituais e humanos do judaísmo e do cristianismo, à prova da pandemia’ foi o tema do encontro entre o cardeal português e o rabino Chefe de Roma, Riccardo Di Segni, esta segunda-feira, no Dia do Diálogo entre católicos e judeus na Itália.

“Depois de cada catástrofe, surge uma revolução cultural… Não podemos acreditar que podemos voltar ao mundo de ontem e que a situação será resolvida simplesmente por alguns ajustes no sistema”, assinalou D. José Tolentino Mendonça.

A frase do Papa Francisco “ninguém se salva sozinho”, proferida no contexto da pandemia Covid-19, foi o pano de fundo do diálogo inter-religioso, informa ainda o portal de notícias do Vaticano.

Destacando os “impressionantes números de mortalidade associados à Covid”, mais de 5,5 milhões, segundo a Universidade norte-americana John Hopkins, o arquivista e bibliotecário da Santa Sé explicou que é diante deste sofrimento inesperado que se é chamado a “ativar e descobrir recursos espirituais e humanos” para o futuro.

D. José Tolentino Mendonça incentivou a “ampliar” o horizonte de consciência e compreender que a pandemia não é gerida apenas do ponto de vista da saúde e o diálogo inter-religioso é “uma necessidade urgente”.

Neste contexto, explica que o primeiro passo é “redescobrir” a confiabilidade de Deus e não reduzir a “um psicoterapeuta” e a religião a “uma forma de bem-estar emocional”.

“Num mundo fragmentado pela lógica dos blocos e interesses de partes, a crise ajuda-nos a ver que não nos podemos salvar sozinhos. Devemos substituir a cultura da hostilidade por uma cultura de independência e fraternidade”, desenvolveu D. José Tolentino Mendonça, no Museu Judaico de Roma.

O rabino chefe Riccardo Di Segni, sobre as vacinas contra a Covid-19 e as controvérsias e dúvidas que geram, afirmou que “é melhor enfrentar um risco mínimo para se salvar do que um risco muito maior”.

“Quanto mais pessoas são vacinadas menos a doença se espalha e menos pode afetar aqueles que não podem ser vacinados por vários motivos. A vacinação não se torna o sistema para defender a mim mesmo, mas a sociedade”, desenvolveu.

Neste contexto, o rabino chefe de Roma incentivou a uma mudança de perspetiva, o evento negativo não deve passar despercebido e “não deve gerar apenas o lamento” mas provocar uma reflexão.

“Cada evento negativo deve ser uma campainha de alarme, um chamado para despertar; Aproveita-se da crise para encontrar uma falsa solidariedade, uma solidariedade de ódio, estar juntos para odiar outra pessoa. É uma experiência monstruosa”, salientou Riccardo Di Segni, divulga o ‘Vatican News’.

CB

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