Clima de instabilidade política, económica e religiosa preocupa líder da maior comunidade católica no país

Lisboa, 02 ago 2018 (Ecclesia) – O responsável pela Igreja Caldeia Católica no Iraque enviou uma carta aos políticos e a todas as delegações diplomáticas presentes no país, onde expressa a sua preocupação pela situação social difícil que o território enfrenta.

No texto, publicado pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), o cardeal Louis Raphael Sako aponta em especial para a “democracia” que tarda em chegar, também para a “crise económica” que tem espalhado “o descontentamento” entre as populações, e para o crescimento dos extremismos, “religiosos e étnicos”.

“É preciso ouvir as reivindicações do povo, que são justas: as pessoas pedem eletricidade, água. Aqui a temperatura nesta época é de 42 graus. Pedem também trabalho, e que sejam respeitadas as suas necessidades primárias a dignidade e a liberdade”, frisa o patriarca caldeu.

No meio deste contexto, a Igreja Caldeia Católica, com as suas estruturas, tem procurado ir ao encontro das necessidades dos que mais precisam.

Mas para o cardeal, cabe em primeiro lugar ao governo iraquiano fazer mais e melhor na recuperação do país e na defesa dos interesses das populações.

“A religião não entra na política, o que se deve reconhecer é a igualdade e a dignidade de todos e fazer o possível para melhorar as condições de vida das pessoas”, frisa aquele responsável.

Desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, que o Iraque tem procurado enveredar por um caminho de estabilidade, de democracia, de desenvolvimento, mas até agora todos estes anseios têm saído defraudados, muito por falta da ausência de uma liderança coesa e mais capacitada.

As últimas eleições, a 12 de maio, deram a vitória ao xiita Moqtada al-Sadr, um reconhecido nacionalista que sempre afirmou a luta contra a intromissão dos Estados Unidos da América e de outros países nos destinos do Iraque.

O cargo de primeiro-ministro foi entregue ao também xiita Hadi al Amiri, que tem por trás o apoio do Irão.

D. Louis Raphael Sako considera “urgente” a formação de “um governo de coligação” que permita “intervir sobre a presença de milícias organizadas em base étnico-religiosa que ainda ditam leis em muitas partes do país”.

Ao mesmo tempo, salienta a importância de avançar com “a reforma da Constituição”, de modo a reforçar “os princípios de cidadania” e contrariar “todo o tipo de discriminação étnica ou religiosa” exercida sobre as pessoas.

Aqui, frisa o responsável pela Igreja Caldeia Católica no Iraque, “a religião não é o problema, a religião é apenas uma desculpa para justificar os próprios interesses”.

Nos 10 pontos que compõem a sua missiva, D. Louis Raphael Sako lembra a necessidade de “reforçar o papel do exército nacional, para que este seja bem formado e possa defender o país, e proteger toda a população”.

Enumera ainda vários problemas que devem estar na mente dos políticos iraquianos, e da comunidade internacional, como “a corrupção, o desemprego, a falta de serviços”.

“Está tudo parado, a agricultura, a indústria, o turismo, temos apenas petróleo que é vendido e o dinheiro roubado. O que será deste país, o que será de 30 milhões de iraquianos?”, questiona D. Louis Raphael Sako.

JCP

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