Papa Francisco acompanha situação «tensa» após morte do general iraniano Qasem Soleimani

Foto: Lusa

Teerão, 04 jan 220 (Ecclesia) – O Núncio apostólico no Irão descreve uma situação tensa e dá conta de protestos causados pela morte do general Qassem Soleimani, vítima de um ataque aéreo, apelando ao uso das “armas da negociação e da justiça”.

Segundo o portal Vatican news, D. Leo Boccardi assegurou que o Papa Francisco está a acompanhar a situação e reza pela paz.

“O Papa foi informado do que está a acontecer em toda a região e também no Irão, após o assassinato do general Solemaini. Tudo isso cria preocupação e mostra-nos como é difícil construir e acreditar na paz”, afirmou o Núncio apostólico.

O general iraniano Qasem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds considerado um dos mais poderosos comandantes militares do Médio Oriente, foi morto na madrugada desta sexta-feira, num ataque ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

D. Leo Boccardi sublinha que a “boa política está a serviço da paz” e avança que toda a comunidade internacional “deve colocar-se a serviço da paz, não só na região, mas em todo o mundo”.

“O apelo é para diminuir a tensão, chamar todos à negociação e acreditar no diálogo sabendo, como a história sempre nos ensinou, que a guerra e as armas não são as soluções para os problemas que afligem o mundo de hoje”, sublinhou.

Acreditar na negociação e no diálogo são os caminhos apontados, renunciando “ao conflito” e optando por outras armas, “as da justiça e da boa vontade”.

O Núncio apostólico pede a atenção da comunidade internacional para a situação tensa no Médio Oriente.

“Uma situação que deve ser resolvida e todos devem ser chamados à responsabilidade direta que temos. Pacta sunt servanda (Acordos devem ser mantidos, ndr), diz uma regra importante da diplomacia. E as regras do direito devem ser respeitadas por todos”, indicou.

Também o arcebispo católico caldeu de Kirkurk, no Iraque, D. Yousif Thomas Mirkis, manifestou a sua preocupação com a situação, apontando eventuais divisões na população.

“Isto pode dividir a população, alguns estão contra, outros a favor”, explicou, mas alertou que o assassinato do general Soleimani, pode desencadear outras divisões sectárias no Iraque entre muçulmanos sunitas e xiitas.

“Rezamos para que a situação seja calma e pacífica. Aguardamos. A situação em Bagdad e no sul está mais complicada. Mas em Kirkurk e na região do Curdistão está calmo ainda. Até agora é tudo o que podemos dizer”, finalizou.

LS

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