Jesuíta de 83 anos está preso por defender os direitos dos povos indígenas

Lisboa, 16 out 2020 (Ecclesia) – A Companhia de Jesus (Jesuítas) “exige a libertação imediata” do padre Stan Swamy que aos 83 anos de idade está “preso injustamente” na Índia, por defender os direitos dos povos indígenas e alegadas ligações maoístas.

“Como Jesuítas envolvidos em obras de educação, cuidando e defendendo os direitos dos mais pobres e vulneráveis em diversas partes do mundo, manifestamo-nos solidários com o P. Stan e com os outros defensores dos direitos humanos na Índia, condenando a sua prisão e exigindo a sua libertação imediata”, referiu o responsável pelo Secretariado de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus a nível mundial.

Os Jesuítas em Portugal informam que o padre Stan Swamy foi detido pela autoridade anti terrorista da Índia, a National Investigation Agency (NIA), por “alegadas ligações maoístas”, no dia 8 de outubro na residência da Companhia de Jesus na periferia de Ranchi, no Estado de Jharkhand, na zona oriental da Índia.

A Companhia de Jesus está a mobilizar-se em todo o mundo para exigir a libertação do sacerdote de 83 anos de idade alertando também para o seu “estado de saúde de enorme debilidade”.

“Apelamos às autoridades que se abstenham de detenções arbitrárias de cidadãos inocentes e cumpridores da lei”, acrescentou o padre Xavier Jeyaraj, que trabalhou ao longo de vários anos com o padre Stan Swamy e agora tem acompanhado a sua situação na prisão, denunciando que desde que foi preso foi forçado a dormir no chão até esta quarta-feira, dia 14.

Segundo o responsável do Secretariado de Justiça Social e Ecologia dos Jesuítas o sacerdote octogenário está sob quarentena apenas com a possibilidade de contactar com o exterior através de uma chamada telefónica por semana e ainda não se encontrou com os seus advogados.

“Estamos chocados e consternados ao tomar conhecimento de que o Pe. Stan Swamy SJ, que tem trabalhado toda a sua vida pela dignificação dos oprimidos e de outras pessoas vulneráveis, foi detido sob a custódia NIA”, escreveu por sua vez o presidente da Conferência Jesuíta da Ásia do Sul, numa carta aberta a 9 de outubro.

O padre George Pattery pede a libertação imediata do sacerdote jesuíta defensor dos direitos humanos, que ao longo de cinquenta anos tem “trabalhado incansavelmente” pelos grupos marginalizados, nomeadamente contra as “expropriações injustas” que têm atingido a comunidade Adivasis, povo indígena do Estado de Jharkhand.

A Conferência Episcopal da Índia também fez um apelo às autoridades competentes para que “libertem imediatamente o P. Stan Swamy permitindo-lhe que regresse à sua comunidade”, num comunicado de imprensa publicado a 9 de outubro.

A Companhia de Jesus em Portugal informa ainda que o padre Stan Swamy foi interrogado várias vezes durante mais de 15 horas pelo NIA (National Investigation Agency – autoridade anti terrorista da Índia) na residência dos Jesuítas em Bagaicha, Ranchi, nos meses de julho e agosto., o P. Stan foi interrogado várias vezes durante mais de 15 horas pelo NIA na residência da Companhia de Jesus em Bagaicha, Ranchi.

CB

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