Para se poder avaliar o alcance da visita do arcebispo de Cantuária ao Papa Paulo VI, realizada a 23 de março de 1966, é necessário dar o devido relevo a um vasto conjunto de circunstâncias que à primeira vista podem parecer meros pormenores. De facto, só uma “grande atenção aos acontecimentos” nos permitirá avaliar o caminho andado desde 01 de dezembro de 1960, quando o anterior arcebispo de Cantuária, Geoffrey Fisher (1887-1972), visitou o antecessor de Paulo VI, o Papa João XXIII.

Com a realização do II Concílio do Vaticano (1962-65), as relações da Igreja com o mundo e com as outras confissões religiosas ganharam um novo fôlego e outra abertura ao nível do diálogo. Passados 50 anos deste acontecimento fulcral, realizado na Basílica de São Pedro, no Vaticano, convém recordar os passos que deixaram raízes nas relações futuras.

Para se poder avaliar o alcance da visita do arcebispo de Cantuária ao Papa Paulo VI, realizada a 23 de março de 1966, é necessário dar o devido relevo a um vasto conjunto de circunstâncias que à primeira vista podem parecer meros pormenores. De facto, só uma “grande atenção aos acontecimentos” nos permitirá avaliar o caminho andado desde 01 de dezembro de 1960, quando o anterior arcebispo de Cantuária, Geoffrey Fisher (1887-1972), visitou o antecessor de Paulo VI, o Papa João XXIII.

Enquanto a visita de 1960 teve um caracter particular, seis anos depois o encontro entre Michael Ramsey (1904-1988) e o Papa Paulo VI teve um cunho oficial. Michael Ramsey foi na qualidade de Arcebispo de Cantuária e de presidente da Conferência de Lambeth dos bispos da Comunhão Anglicana dispersos pelo mundo inteiro.

O primeiro ato público do Arcebispo de Cantuária ao chegar a Roma foi inaugurar o Centro de Documentação sobre o Anglicanismo instalado no Palácio Doria Pamphili. O centro pretendia, segundo as palavras de D. Michael Ramsey, tornar conhecido o pensamento dos teólogos anglicanos. Estes “devem muito aos textos da Igreja Católica Romana. Este centro constitui uma tentativa de pagar esta dívida, pondo a erudição anglicana à disposição de quem dela se quiser servir. Paz a esta casa e a quantos nela entrarem” (In: Boletim de Informação Pastoral nº 46-47; 1966; pag. 12).

Esta inauguração marca, talvez mais do que qualquer outra iniciativa, o sentido da aproximação entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana: uma aproximação feita dentro da plena consciência dos valores de ambas as partes, realizada com toda a verticalidade e de energia, sem pretender saltar por cima das dificuldades. Para diretor do centro foi nomeado John Findlow, observador anglicano ao II Concílio Vaticano.

Para além da inauguração, D. Michael Ramsey encontrou-se com Paulo VI na Capela Sistina e fizeram uma oração em comum na Basílica de São Paulo fora de muros. Nesse local foi cantado o «Veni Creator», oração comum a católicos e anglicanos.  

LFS

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