«Reinventar-se em tempo de pandemia para que ninguém fique para trás», destaca rede portuguesa do setor

Lisboa, 27 ago 2020 (Ecclesia) – A Fundação Fé e Cooperação (FEC), que reúne e divulga anualmente os números do voluntariado missionário, informa que esta ação “assumiu uma expressão ainda mais forte” no contexto da pandemia Covid-19 e, até dezembro, os voluntários continuam a partir.

“Os exemplos de readaptação e de resiliência vistos ao longo deste tempo que vivemos, e que se estenderá até ao final do presente ano, são imensos e, por essa razão, este ano não queremos apenas lançar números”, assinala a coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, pela FEC, Catarina António explica que este ano querem partilhar “os exemplos e as vidas que se transformaram para que ninguém ficasse para trás”, quando o voluntariado missionário “assumiu uma expressão ainda mais forte” no contexto da pandemia Covid-19.

Segundo as organizações que integram a Rede de Voluntariado Missionário há voluntários “partiram antes da pandemia”, os que estavam em formação, “ansiosos por partir”, adiaram a viagem, alguns que estavam no terreno “regressaram mais cedo” e integraram projetos em Portugal, “não deixando de ser e de viver missão”, e outros “permaneceram em missão, alterando muitas das suas rotinas e atividades”.

A Fundação católica Fé e Cooperação explica que os voluntários que decidiram permanecer nos países de missão tiveram de reorganizar os seus dias, com o encontro presencial a “ser suspenso e o foco passou a ser o apoio às comunidades”, não só no combate ao coronavírus Covid-19 – produzindo e distribuindo máscaras, demonstrando cuidados básicos de higiene – “mas também na ajuda direta às populações que enfrentaram ‘pandemias’ igualmente graves como a fome ou o combate armado”.

Neste contexto, a organização destaca que os voluntários do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga (CMAB) mantiveram-se na missão em Cabo Delgado, Moçambique, os missionários do Voluntariado Espiritano continuaram em Cabo Verde, por exemplo, a apoiar a comunidade “sendo também sinal de esperança”, enquanto os missionários do Grupo Missionário Ondjoyetu, da Diocese de Leiria-Fátima, permaneceram em Angola e um voluntário dos Leigos Missionários Combonianos na Etiópia.

A FEC informa que “apesar da pandemia” os voluntários “continuam a partir” em missões de curta e longa duração, sobretudo para Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, até dezembro deste ano.

Nas missões de longa duração, os voluntários dedicam-se principalmente às áreas de educação e formação, pastoral, saúde, animação sociocultural, agricultura, construção de infraestruturas, dinamização e organização comunitária, capacitação de agentes locais.

A organização católica que dinamiza a Rede do Voluntariado Missionário desde 2002 assinala também que por causa do novo coronavírus alguns voluntários regressam mais cedo dos seus projeto mas continuaram a missão em Portugal, como na Procura – Missões Claretianas – um voluntário regressou de São Tomé e Príncipe – no CMAB uma voluntária de Moçambique e nos Leigos para o Desenvolvimento que trouxeram sete voluntários de São Tomé e Príncipe e três de Angola.

Fundação Fé e Cooperação contextualiza que o voluntariado missionário distingue-se do voluntariado internacional para a cooperação “principalmente pela sua génese cristã-católica”.

CB

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