Cardeal Pietro Parolin destacou a responsabilidade de transmitir a «memória» de forma digna às «novas gerações»

Cidade do Vaticano, 20 nov 2020 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano disse que o diálogo inter-religioso é um instrumento indispensável para combater o antissemitismo e destacou a importância de partilhar a memória com “as novas gerações”, num simpósio virtual da Embaixada dos EUA.

Num colóquio com o tema ‘Nunca Mais: Enfrentando a ascensão global do antissemitismo’, D. Pietro Parolin explicou que o antissemitismo pode ser combatido através do diálogo inter-religioso, assinalando que a fraternidade é construída sobre a verdade sustentada por vários religiosos que cada pessoa humana é “chamada a ser um filho de Deus”.

“A memória é a chave para o acesso ao futuro e é nossa responsabilidade transmiti-la de forma digna para as novas gerações”, disse o cardeal, numa intervenção divulgada pelo portal ‘Vatican NEws’.

No encerramento do simpósio virtual realizado pela Embaixada dos Estados Unidos da América junto da Santa Sé, o secretário de Estado do Vaticano destacou a importância do lugar da memória histórica afirmando que “para superar tantas formas deploráveis de ódio” é precisam da capacidade de se envolverem “juntos na memória”.

D. Pietro Parolin recordou as palavras do Papa Francisco, ao referir que toda a forma de antissemitismo é “uma rejeição de origens cristãs”, e é uma contradição.

Neste contexto, salientou que a mais recente encíclica do Papa, ‘Fratelli Tutti’, tem uma reflexão sobre as distorções de “conceitos fundamentais” como democracia, liberdade, indiferença, a “perda do sentido da história” e o racismo que se refletem também no antissemitismo.

D. Pietro Parolin destacou também uma carta de 1916, descoberta recentemente, do então secretário de Estado, cardeal Pietro Gasparri (1914-1930), ao Comité Judaico Americano, em que pedia uma resposta à violência contra os judeus na I Guerra Mundial.

Em nome do Papa Bento XV, o cardeal Pietro Gasparri, escreveu que os direitos naturais do ser humano deveriam ser “observados e respeitados também em relação aos filhos de Israel como deveria ser para todos os homens, pois não seria conforme a justiça e a própria religião desviar-se apenas por causa de uma diferença na fé religiosa”.

A embaixadora Callista L. Gingrich, no discurso de abertura do simpósio, recordou ataques nos Estados Unidos da América, como no início deste ano na cidade de Jersey, em Nova Iorque, e em Pittsburgh, em 2018.

“Toda sociedade livre tem interesse em reverter essa tendência”, afirmou, destacando medidas da Administração Trump para enfrentar estas situações a nível interno e internacional, e disse que o Papa é “um importante aliado na luta contra o antissemitismo e a negação do Holocausto”.

CB/OC

Partilhar:
Share