Equipas de Jovens de Nossa Senhora anunciaram que FNO vai apoiar o projeto «ComVidas», que leva voluntários para ajudar lares de idosos

Lisboa, 28 fev 2021 (Ecclesia) – O ‘Faith’s Night Out’ (FNO) 2021 partilhou testemunhos de nove oradores com diferentes experiências sobre como permanecer firmes no serviço, na moderação, na esperança, na alegria, como ser fermento, mesmo na atual situação pandémica.

O médico Roberto Roncon, coordenador de Medicina Intensiva do Hospital de São João, foi o convidado surpresa do FNO 2021, onde partilhou como ‘permanecer na esperança’ num testemunho gravado num dos dias “mais difíceis” da sua vida profissional, quando morreu o jogador de andebol Alfredo Quintana.

“A esperança é provavelmente uma das virtudes mais difíceis de alcançar, desafia tudo aquilo que vemos na televisão, quando surfamos na internet, não tem nada a ver com a frivolidade dos likes do Facebook, dos vídeos no Tik-tok. A esperança não é superficial, nem é fugaz, a esperança no fundo é Deus sempre presente”, desenvolveu.

Para o médico Roberto Roncon “é muito difícil tentar partilhar” o que foi o último ano e a forma como tentou manter a esperança e explicou alguns aspetos centrais que o ajudaram, como “tentar seguir exemplos de fé”, onde destacou exemplos do Papa Francisco, mensagens das famílias dos doentes, “evitar o desespero” e “repudiar a presunção”, que é absolutamente fundamental

O ‘Faith’s Night Out’ 2021 teve como tema geral ‘Permanecei firmes’, e foi organizado, pelas Equipas de Jovens de Nossa Senhora, num formato digital para ser acompanhado “em casa”, do auditório da Rádio Renascença.

Para falar sobre ‘serviço’, o médico e deputado do PSD Ricardo Baptista Leite começou por assinalar que quem partilha a fé em Deus tem “muita sorte” porque em tempos turbulentos têm “um farol que guia, que é a cruz, e o amor de Cristo que nunca abandona”, mesmo quando se vivem “momentos difíceis”.

“E agora que estamos a viver um período tão difícil, tão desafiante, uma crise sanitária mas que também se vai traduzir numa grave crise económica e social, temos esta obrigação de trabalharmos juntos, de nos colocarmos ao serviço de Deus e através de Deus nos colocarmos ao serviço uns dos outros para combatermos essas desigualdades, para garantirmos que objetivamente não deixamos ninguém para trás”, disse.

Também no contexto da pandemia Covid-19, Zarica e Marta Beja, mãe e filha, com o tema ‘Permanecer Fermento’ recordaram o nascimento de uma rede de solidariedade, na paróquia de Santo António do Estoril, para apoiar com refeições os profissionais de saúde do Hospital Santa Maria, em Lisboa, na primeira vaga da pandemia.

“Deus chama-nos a coisas diferentes, e chama-nos a todos. Se na primeira vaga chamou à nossa família a sermos fermento e a dar o primeiro passo, a abrirmos as portas de casa para receber refeições para levar aos profissionais, agora chamou a outros a ser fermento”, disse Marta Beja, depois de partilhar que em casa ficaram todos infetados e membros do grupo e amigos organizaram-se para “levar refeições porque viam o estado de fragilidade”.

Laurinda Alves

A jornalista e professora Laurinda Alves começou por refletir do que se fala sobre ‘permanecer na alegria’ num tempo de pandemia, “dificílimo”, em que tudo é motivo para “descrer, para não crer, para desanimar”, com tantas perdas, mortes, desemprego, aflição e realçou que “alegria não é o contrário da tristeza” mas “é o oposto do desânimo”.

“Alegria não é estar bem-disposto, não é andar contente; Alegria é aquilo que permite que tenhamos sentido de vida, uma atitude resgatadora, sejamos capazes de ir ao encontro dos outros mesmo quando o encontro físico não é permitido, mas sejamos criativos e fortes interiormente; há muita maneira de ir ao encontro, de fazer voluntariado e de ajudar mesmo sem sair de casa”, desenvolveu a voluntária de cabeceira em Cuidados Paliativos.

José Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença, em ‘permanecer na moderação’ observou que no espaço público, nos media e, sobretudo, nas redes sociais, “o grito é regra de ouro”.

O orador, licenciado em Direito pela UCP, explicou que se derem “corda aos extremos eles não param”, os fanatismos alimentam-se reciprocamente, são o oposto da moderação, e “a moderação tira combustível ao ódio e os extremismos perdem força e perdem sentido”.

José Ramos Pinheiro alertou para os rótulos de direita ou esquerdas consoante as posições defendidas e alertou que “querem entrincheirar o pensamento cristão, aprisioná-lo para melhor o combater”.

“Se promovemos a dignidade dos imigrantes encostam-nos bem encostadinhos à extrema-esquerda, mas se promovemos o direito à objeção de consciência dos pais de Famalicão, que têm o direito de recusar conteúdos abusivos impostos pelo Ministério da Educação sem serem perseguidos judicialmente como neste momento sucede, somos de imediato catalogados como retrógrados de extrema-direita”, exemplificou, referindo que “os valores cristãos escapam a qualquer matriz ideológica”.

O encontro começou com a partilha do casal Magda e Carlos Fontes sobre como ‘permanecer no amor’, a partir da experiência de serem uma família de acolhimento que recebeu com 15 dias o António, “um bebé alegre, feliz” que vai fazer 16 meses, quando já tinham três filhos biológicos.

A 12ª edição do FNO contou também com intervenções do bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Rui Valério, sobre o “tema muito profundo mas muito interpelativo” de ‘permanecer na fé’; de Rita Vinagre, que falou de ‘permanecer na Confiança’; e da maestrina Joana Carneiro sobre ‘a harmonia’.

No final, as Equipas de Jovens de Nossa Senhora anunciaram que parte do donativo do ‘Faith’s Night Out’ 2021 vai ser “entregue à associação ComVidas”, que leva voluntários para prestar ajuda nos lares de idosos em Portugal.

O movimento católico para jovens entre os 16 e os 26 anos, nasceu em 1976 e organiza o FNO desde 2013; em 2018, inaugurou a primeira edição no Porto e em São Paulo, no Brasil; e no ano seguinte em Évora.

CB

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