Mais de 350 jovens já passaram uma semana dentro de uma instituição, em regime de turnos, a “fazer o que é preciso”

Lisboa, 21 jan 2021 (Ecclesia) – Madalena Corrêa D’Oliveira, coordenadora das missões do “ComVidas”, disse à Agência ECCLESIA que este projeto de voluntariado em lares de idosos tem encontrado instituições em “situação caótica”.

“Tudo acontece no nosso site, os lares inscrevem-se e por outro lado os voluntários também têm um formulário, fazemos uma equipa para aquela semana, designamos o lar mediante o pedido de ajuda; os lares, quando pedem ajuda já chegaram a uma situação caótica, o pedido é sempre urgente, tentamos dar resposta o mais rápido possível”, explica. 

A jovem gere o contacto com as instituições que pedem ajuda, “saber as necessidades e o número de voluntários que podem acolher”, passando a informação a quem trata da base de dados dos voluntários que soma mais de 350. 

ComVidas” nasceu em março, “depois de um pedido de ajuda de um sacerdote do norte”, perante a situação de um lar que tinha ficado sem funcionários para tratar dos idosos.

“Um padre começou a enviar mensagem a jovens dos campos de férias que conhecia, para ajudar na altura por 15 dias, um lar que estava a ficar sem funcionários e assim, a Rita Almeida e Brito, fundadora do projeto, formou um primeiro grupo de voluntários”, recorda. 

Este primeiro grupo “teve formação” e foi designado “missão 0”, num lar em Foz Côa.

Os pedidos foram chegando e a responsável foi alargando a equipa para conseguirem dar as “respostas devidas” e foi assim que Madalena Corrêa d’Oliveira entra no projeto, bem como outras pessoas na área da psicologia, envelhecimento e comunicação. 

“Aconteceram imensas missões até agosto, fazíamos um mês de missão, porque nos era exigido 15 dias no lar e mais 15 dias em quarentena, atualmente nesta fase passámos a ter cada missão de uma semana de turnos no lar”, conta. 

O foco do projeto era “dar um apoio emocional e psicológico” aos utentes mas rapidamente perceberam que era impossível, pois com a falta de funcionários, “era precisa ajuda prática, o que fosse preciso”. 

“Os voluntários não fazem a parte profissional como medicação, por exemplo, mas depois tudo o que seja dar refeições, ajudar na higiene, fraldas e banhos, os voluntários estão dispostos a fazer, e, senão sabem, pedem para aprender”, afirma.

Os voluntários que têm aderido “vêm de sítios e contextos diferentes”; têm de ter mais de 18 anos e não podem pertencer a grupos de risco.

“Formamos a equipa, criamos um grupo WhatsApp, conhecem o grupo através do zoom, organizamos a logística, têm formação com enfermeiros e psicólogos e depois de fazer teste à Covid-19, com resultado negativo, partem para o terreno”, refere.

O projeto está constantemente a avaliar a situação, a “repensar a forma de atuar bem como em contacto com as autoridades de saúde” e encontra-se em fase “non stop” devido aos muitos pedidos de ajuda, iniciando novas missões.

SN

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