Francisco agradeceu «de coração» o compromisso da «mujeres de las villas» contra o aborto na Argentina

Foto de arquivo (2018)

Cidade do Vaticano, 26 nov 2020 (Ecclesia) – O Papa Francisco afirmou que “o problema do aborto não é principalmente uma questão de religião, mas de ética humana”, numa carta às ‘mujeres de las villas’ da Argentina que lutam pela tutela dos nascituros especialmente nos bairros populares de Buenos Aires.

“É bom fazer duas perguntas: Para resolver um problema, é justo eliminar uma vida humana? É correto contratar um assassino?”, escreveu o Papa numa carta que responde ao pedido de apoio por parte das ‘mujeres de las villas’.

O portal ‘Vatican News’ explica que as “mujeres de las villas”, são uma rede de mulheres que luta pela tutela dos nascituros, especialmente nos bairros populares de Buenos Aires, desde 2018, e a carta enviada a Francisco pediu o seu compromisso contra a legalização da interrupção voluntária da gravidez que está a ser debatida na Argentina.

“O problema do aborto não é principalmente uma questão de religião, mas de ética humana, antes mesmo de qualquer confissão religiosa”, assinala o Papa na carta dirigida à deputada Victoria Morales Gorleri.

Na carta com data deste domingo, 22 de novembro, Francisco “agradece de coração” às ‘mujeres de las villas’ e manifesta admiração pelo “seu trabalho e testemunho”, encorajando-as a continuar.

“O país se orgulha de ter mulheres assim”, afirma, concluindo com a bênção para as mulheres, pedindo para “não se esquecerem de rezar” por ele.

“Sentimo-nos dominadas pelo terror”, revelaram as ‘mujeres de las villas’ na sua carta para o Papa onde lamentam a forma como está a ser apresentado o projeto de lei na Argentina.

“Quando pensamos que este projeto de lei visa cultivar a ideia de que o aborto é mais uma possibilidade na gama de métodos contracetivos e que seus principais destinatários são as garotas pobres. A nossa voz, como a das crianças que não nasceram, nunca é ouvida”, alertam.

As ‘mujeres de las villas’ explicam que os legisladores e a imprensa “não querem” ouvi-las e se nas ‘vilas’ não tivessem sacerdotes que “levantam a voz” estariam “ainda mais sozinhas”.

“Nossas filhas adolescentes estão crescendo com a ideia de que não têm o direito de ter filhos porque são pobres”, acrescentam.

Para este sábado, 28 de novembro, estão previstas várias manifestações na Argentina contra o projeto de lei sobre o aborto, a ‘Marcha dos sapatinhos’, por exemplo, vai reunir os participantes, em Buenos Aires, em frente à sede do Congresso Nacional para rezarem o Terço e colocar a vida dos nascituros sob a proteção de Nossa Senhora.

O portal ‘Vatican News’ informa que Comissão Episcopal para a Vida, os Leigos e a Família (Cevilaf), da Conferência Episcopal da Argentina, numa nota referiu que “pela primeira vez, na Argentina e na democracia, poderia ser aprovada uma lei que inclui a morte de uma pessoa para salvar outra”.

“Somente salvando as duas vidas, poderemos todos ser salvos”, acrescentou, no documento de 20 de novembro, que incentiva os fiéis a aderirem às manifestações que são “expressões públicas a favor do direito humano à vida que toda pessoa tem e que é garantido pela Constituição”.

CB

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