Ciclo de conferências do Instituto São Tomás de Aquino sobre tema «Onde estão os cristãos? – A Igreja no mundo» quer ser provocação para pessoas saírem do «adro» e participarem nos «lugares menos pensáveis»

Lisboa, 28 fev 2026 (Ecclesia) – O historiador Paulo Fontes afirmou hoje a presença dos cristãos na sociedade e na política mas afirmou a “falta de presença mais orgânica e articulada” entre cristãos e Igrejas.
“Há desafios societais novos, outros que vêm de trás, o problema da pobreza é um deles, o tema da guerra é outro, a problemática das migrações e a migração está na nossa sociedade. Portanto, nós temos de pensar como é que as Igrejas e a Igreja católica, não só na voz do Papa, não só na voz dos bispos, mas na vivência das comunidades, se experimenta a resposta a estes desafios, pela lógica da caridade e da justiça”, afirmou o conferencista à Agência ECCLESIA.
«Os cristãos na sociedade secularizada» foi a conferência de abertura do ciclo promovido pelo Instituto São Tomás de Aquino (ISTA), em Lisboa, com o tema «Onde estão os cristãos? – A Igreja no mundo».
“Os cristãos estão por aí. Talvez o que falte hoje é um sentido de uma presença mais orgânica, mais articulada dos cristãos e das igrejas, e da igreja católica, no seio da sociedade”, afirmou o diretor do Centro de Estudos de História Religiosa da UCP.
O conferencista deu conta de um “paradoxo” que demonstra a necessidade de “visibilidade” mas que deve contrariar a “espuma dos dias”.
“É uma visibilidade que não traz a marca e a densidade daquilo que é essencial. E eu creio que é aí que os cristãos têm que responder: é pela densidade da sua atenção, da sua escuta, da sua presença, do seu cuidado e depois do seu testemunho, que também passa por uma voz pública, não para partidarizar, mas para dizer que para os cristãos nem tudo é igual”, indicou.
O superior provincial da Ordem dos Pregadores, o frei José Manuel assinalou o ciclo de conferências do Instituto como um contributo para uma “reflexão” entre cristãos.
“Não quer dar a última palavra, obviamente, sobre este tema mas proporcionar uma reflexão, um debate entre os cristãos: como é que nós estamos, o que é que podemos fazer, onde é que, de facto, nós estamos, na educação, na cultura, na arte, nas empresas, na política, nas respostas sociais, e ajudar que as pessoas também encontrem o seu caminho como cristãos na sociedade e na responsabilidade social”, explicou.

O responsável apontou a necessidade de cristãos “tanto no adro da igreja como na rua, na estrado, nos lugares menos pensáveis” para um pessoa “ser e se afirmar cristão”.
“Somos cidadãos, como os outros, com responsabilidades e iluminados, naturalmente, por esta fé em Jesus. Como é que podemos atuar na sociedade e da melhor forma possível, transmitindo também os valores e sendo também uma referência, procurando ser uma referência também para os outros”, convidou.
O frei Gonçalo Dinis, da direção do ISTA) e dominicano da Ordem dos Pregadores, fala numa provocação que quiseram fazer ao propor o ciclo sobre a presença dos cristão.
“Provocar um pouco mais a presença pública dos cristãos. Não sermos só pessoas que se reúnem, e isso é fundamental, mas pessoas que se reúnem na celebração dominical e que depois passam despercebidas, portanto. É importante ter essa presença no mundo, no trabalho, na família, nos nossos compromissos até de voluntariado e até lúdicos, dando esse testemunho de cristãos no mundo”, indicou à Agência ECCLESIA.
Numa sociedade “da imagem”, onde a “visibilidade é importante”, o dominicano lamentou a falta de “presença cristã”.
“Às vezes sobre grandes assuntos e problemáticas a nível internacional, às vezes parece que temos dificuldade em descobrir para onde é que andam os cristãos. Estas conferências servem um pouco para provocar, digamos, essa saída dos cristãos e essa visibilidade que também é necessária”, traduziu.
O frei Gonçalo Dinis apresenta o ISTA, herdeiro de São Tomás de Aquino, como um proponente de “Teologia virada para o mundo”, procurando dar respostas aos “desafios que há no mundo” e aos problemas de “pessoas concretas”.
HM/LS
