D. António Luciano mobiliza «todos que amam a pessoa humana» para defender e cantar «um hino à vida»

Viseu, 11 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo de Viseu afirma que “matar alguém é sempre um crime” e diz “não a uma cultura de morte” ,na nota pastoral ‘A vida humana não está às ordens’, com que se une ao debate sobre a aprovação da eutanásia.

“Levante-se o povo, proclamem os governantes a prudência da razão, digamos sim à vida e não a uma cultura de morte. Não à eutanásia, ao suicídio assistido e a outras formas de antecipar a morte das pessoas, porque estas nasceram para viverem e serem felizes”, escreve D. António Luciano no documento publicado hoje, quando a Igreja Católica celebra o Dia Mundial do Doente.

Na nota pastoral enviada à Agência ECCLESIA, o responsável afirma o “sim à vida com dignidade” e ao seu respeito incondicional, ao cumprimento do dever humano de todos, “na medida das suas circunstâncias e possibilidades, contribuírem para o alívio do sofrimento”.

O bispo de Viseu, enfermeiro de formação, pede mais cuidados de saúde, “os cuidados apropriados, multidisciplinares”, em cada situação, e para todos os que precisam, “seja em que momento for das suas vidas até à morte natural”.

“Que exijamos os serviços e cuidados que caracterizam a essência da medicina, da enfermagem, do humanismo e da ética, destinados também a promoverem a qualidade de vida, quando estamos doentes, junto da nossa família, ou acompanhados dos nossos amigos e de quem gostamos. Que os governantes façam boas leis, isso sim, para que todos possamos usufruir do direito aos cuidados de saúde necessários, nos quais se incluem os cuidados paliativos”, desenvolve.

O bispo de Viseu pede “a todos os que amam a pessoa humana”, de modo especial aos cristãos, para que se mobilizem para defender e cantar “um hino à vida”: “Para reclamarmos que na fragilidade, na vulnerabilidade, na doença e no final da nossa vida, cuidem sempre de nós”.

Na nota pastoral refere que a defesa da vida humana, “antes de ser uma questão ligada à religião, é uma questão da razão, do humano, do ético”, e de a pessoa ser dotada de valor próprio, com razão, inteligência, vontade e coração.

D. António Luciano. Foto: Jornal A Guarda/Francisco Barbeira

O Parlamento português vai discutir e votar a legalização da eutanásia no próximo dia 20, depois do debate ter sido agendado no dia 30 de janeiro em conferência de líderes por consenso entre os partidos que têm projetos de lei, o BE, o PAN, o PS e o PEV.

D. António Luciano escreve que “não é aceitável referendar ou legislar” sobre a disponibilidade da vida de alguém, porque “esse alguém é um sujeito integral, com uma dimensão ética, uma individualidade e um valor inquestionáveis”.

“Ainda que seja a mais pequena célula do nosso património genético, faz parte de um ser “único e irrepetível”, que é preciso respeitar, promover, valorizar e dignificar desde o momento da conceção até à morte natural”, explica.

O bispo, que trabalhou como enfermeiro nos Hospitais da Universidade de Coimbra, afirma que os médicos, os enfermeiros e outros profissionais de saúde “não têm legitimidade para matar alguém” mas devem proceder como “pessoas de bem para curar, cuidar e aliviar o sofrimento”, através de respostas científicas, humanas e pela “promoção do maior bem integral da pessoa doente”.

A Igreja Católica celebra hoje o Dia Mundial do Doente, na festa litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes (11 de fevereiro), e o Papa Francisco reforçou a oposição a projetos de legalização da eutanásia na sua mensagem.

CB/OC

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