Igreja/Sociedade: Cáritas Internacional denuncia impacto das guerras sobre as mulheres

Mensagem para o Dia Internacional da Mulher sublinha exigência de igualdade e proteção da dignidade humana

Foto: Lusa/EPA

Roma, 08 mar 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Internacional apelou hoje à promoção da igualdade e à proteção da dignidade feminina, destacando o impacto das guerras sobre as mulheres.

“Em guerras e conflitos, mulheres e meninas costumam sofrer mais, sendo forçadas a fugir de suas casas e comunidades para salvar suas vidas, muitas vezes sujeitas a abusos físicos e sexuais”, referiu o secretário-geral da confederação, Alistair Dutton, numa declaração que assinala o Dia Internacional da Mulher.

O dirigente aponta a salvaguarda contra a exploração e o acesso a meios de subsistência como prioridades absolutas nas respostas de emergência humanitária da rede católica, presente em mais de 200 países e territórios.

“Devemos garantir que a segurança, a dignidade e a autonomia das mulheres e raparigas sejam fundamentais em todas as nossas respostas humanitárias”, acrescentou Alistair Dutton.

Neste Dia Internacional da Mulher, juntamo-nos ao apelo global para promover a igualdade, proteger a dignidade humana e garantir segurança e justiça para todas as mulheres e raparigas, não como ideais, mas como realidades vividas”.

A confederação católica baseia-se num relatório recente das Nações Unidas para alertar que a população feminina a nível mundial usufrui apenas de 64% dos direitos legais garantidos aos homens.

“Ao ritmo atual, serão necessários 286 anos para colmatar esta lacuna. Isto não é aceitável”, adverte a instituição, na sua página oficial.

A reflexão sublinha a matriz cristã desta exigência, recordando que o princípio da igualdade e a dignidade universal radicam na criação de todas as pessoas à imagem e semelhança de Deus.

“Quando a dignidade das mulheres e das raparigas é ignorada, ou quando barreiras sociais, culturais ou económicas as impedem de realizar plenamente a sua vocação, talentos e participação na sociedade, a nossa humanidade comum é diminuída”, sustenta a organização de solidariedade e ação humanitária, presente nos cinco continentes.

A vice-presidente da Cáritas Internacional, Mena Antonio, assegurou que o investimento na liderança feminina se manterá no centro da ação da rede global, recusando que a justiça seja opcional face aos atuais cortes financeiros no setor humanitário.

“A igualdade não é uma aspiração que adiamos quando os orçamentos são reduzidos, é um princípio que defendemos porque as comunidades resilientes são construídas quando mulheres e homens lideram, participam plenamente e moldam as decisões que afetam as suas vidas”, afirmou a responsável.

O texto evoca ainda o magistério do Papa Leão XIV, recordado na encíclica “Dilexi Te”, que alerta para a dupla vulnerabilidade de quem suporta situações de exclusão e maus-tratos.

“A ação para garantir a justiça e a igualdade é um imperativo moral baseado na dignidade inviolável e no valor intrínseco de cada pessoa humana e contribui para o bem comum”, conclui a Cáritas Internacional.

OC

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