Bispo de Setúbal proferiu conferência em Turim

Turim, Itália, 06 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal, cardeal D. Américo Aguiar, defendeu hoje em Turim a construção de uma “rede de fraternidade” como ferramenta de paz, partilhando a experiência da JMJ Lisboa 2023 na preparação para o encontro de Seul (2027).
“É muito significativo que este nosso encontro seja uma espécie de oásis de paz no meio das tantas guerras que alastram pelo mundo”, afirmou o responsável, no início da sua intervenção, subordinada ao tema “Fraternidade como laço de Paz”.
A iniciativa decorreu num encontro com jovens e autoridades religiosas, promovido pelos Dicastérios para o Diálogo Inter-religioso e para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé).
“O bem que semeamos todos os dias talvez não faça barulho nem capte a atenção mediática, mas gostaria de sublinhar o conceito de trabalhar em rede (não apenas nas redes sociais), mas naquela rede mais profunda que é a rede da fraternidade”, sublinhou o cardeal português.
D. Américo Aguiar recordou o seu papel na organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa, assinalando que o evento católico é destinado a todas as pessoas, alertando para o perigo de a Igreja se tornar refém de um “falso sentimento de proselitismo”.
“No caminho que nos levará a Seul, na Coreia do Sul, um país onde os católicos não são a maioria, penso que é ainda mais premente este convite: todos são chamados a fazer a experiência de fraternidade que cada JMJ oferece”, declarou o bispo de Setúbal.
O antigo presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023 lembrou as viagens que realizou à Ucrânia e à Terra Santa antes do encontro de agosto na capital portuguesa, com o objetivo de levar a Jornada aos jovens impedidos de viajar devido aos conflitos armados.
Foi uma viagem de lágrimas e esperança. Lágrimas porque o indizível sofrimento da guerra estava escrito nos rostos de tantas pessoas que encontrei. Em concreto, em Bucha e Irpin, encontrei uma situação particularmente difícil. Esperança porque, no meio dos escombros, partilhar a oração, partilhar o sofrimento e, sobretudo, manifestar a certeza de que, nos dias da JMJ, os jovens em dificuldade daquela zona do mundo não seriam esquecidos, ou seja, a fraternidade em rede, foi um modo simples de alimentar o que é bom.”
Olhando para a vivência dos dias da JMJ, o cardeal português sublinhou que a construção da paz se faz através da alegria partilhada, sem “nacionalidade nem religião”.
“Uma fraternidade triste não é verdadeira fraternidade. Uma paz triste não é uma verdadeira paz”, assinalou D. Américo Aguiar.
A reflexão destacou ainda o papel da “beleza” e da “interioridade”, evidenciando que a partilha entre jovens de todo o mundo, com diferentes percursos e histórias, supera a mera dimensão logística de um grande evento.
“A fraternidade e a paz nascem, também, da oração de cada um, partilhada com os outros”, indicou o bispo sadino.
No final da sua conferência na cidade italiana, D. Américo Aguiar traçou um paralelismo com a vida digital para desafiar a juventude a transformar as ligações humanas, “em chave de fraternidade”.
“É mais o que nos une como irmãos do que o que nos divide. E a paz é sempre possível quando no coração de cada um habitam a beleza, o bem e a bondade”, concluiu.
OC
