Organização católica alerta para um «conflito esquecido» no leste da Ucrânia que dura há oito anos

Foto: Caritas.org

Roma, 26 jan 2022 (Ecclesia) – A Caritas Ucrânia pediu ajuda para a população do país,  sublinhando o trabalho desenvolvido ao serviço de todos os afetados pelas “circunstâncias da guerra”, que desde 2014 provocou 14 mil mortes e mais de um milhão de deslocados.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a organização católica destaca que a atual ameaça de intervenção militar, agravada pela pandemia e o “stress económico”, está a complicar “uma situação já difícil na Ucrânia”.

“Muitas vezes um conflito esquecido, a guerra no leste da Ucrânia continuou sem parar por oito anos. É vivido diariamente pelas pessoas da região que enfrentam perdas de vidas, traumas de guerra e destruição de infraestruturas vitais necessárias para as necessidades humanas básicas”, assinala uma nota divulgada pela confederação internacional da Cáritas.

Após a revolução pró-ocidental de 2014, em Kiev, Moscovo anexou a região da Crimeia, apoiando ainda movimentos separatistas nas províncias de Donetsk e Luhansk.

A presidente da Caritas Ucrânia salienta que todos testemunham “reuniões de alto nível na tentativa de diminuir a situação e regressar ao caminho da diplomacia”.

“Esperamos sinceramente e rezamos para que esses esforços sejam bem-sucedidos”, refere Tetiana Stawnychy.

“Os nossos programas variaram de alimentos imediatos e suplementos de socorro para as famílias deslocadas, a apoio psicossocial e cuidados domiciliários em áreas de difícil acesso, água, apoio aos meios de subsistência e desenvolvimento comunitário. A Caritas Ucrânia ajudou as pessoas a organizarem-se e a começarem a normalizar a vida social”, acrescenta.

Foto: Caritas.org

A Cáritas ucraniana está preocupada com as consequências que teria uma escalada de violência neste país de 43 milhões de pessoas, alertando para as perdas de vida, a destruição de casas, hospitais e escolas, “a privação de necessidades básicas, como água, aquecimento e sistemas de comunicação”, e milhões de refugiados.

No Vaticano, o Papa, que convocou uma jornada de oração pela paz na Ucrânia para esta quarta-feira, defendeu o diálogo para evitar um cenário de guerra.

“Que as orações e súplicas, que hoje se elevam ao Céu, toquem as mentes e os corações dos responsáveis na terra, para que façam prevalecer o diálogo, e o bem de todos seja colocado acima dos interesses particulares. Por favor, nunca a guerra”, disse hoje Francisco, no final da audiência pública semanal que decorreu no Auditório Paulo VI, do Vaticano.

A ‘Caritas Internationalis’ apela à solidariedade e informa que a Caritas Ucrânia está a preparar-se para “enfrentar todas as eventualidades”, projetando cenários para levar ajuda a quem precisa.

“Testemunhamos que, na destruição, a expressão prática de cuidado, amor, e solidariedade da Caritas Ucrânia tem o poder de restaurar a dignidade humana e devolver a esperança”, salientou Andrii Postnikov, chefe de Programas Humanitários da organização no país.

CB/OC

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