Responsável pela formação que junta a partir de hoje agentes da pastoral Juvenil, Vocacional, Familiar e do Ensino Superior diz que, com os Sínodos anteriores, Igreja percebeu «que não escutou e não deu a palavra suficientemente»

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 02 set 2021 (Ecclesia) – O padre salesiano Rossano Sala, que a partir de hoje orienta a formação sobre «Sinodalidade para a Missão: um laboratório para o discernimento pastoral», afirmou que o caminho sinodal significa um “regresso ao espírito do Concílio Vaticano II”.

“Ter consciência desta realidade significa regressar ao espirito do Concílio Vaticano II para redescobrir na sua plenitude e profundidade”, explicou à Agência ECCLESIA o responsável, professor da Universidade Pontifícia Salesiana de Roma, que foi secretário Especial da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” e é ainda Consultor da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos.

A formação que hoje tem início, no Seminário de Leiria, e se prolonga até ao dia 5, destina-se a agentes da pastoral Juvenil, Vocacional, Familiar e do Ensino Superior e, afirma o padre salesiano, quer chamar a atenção para a importância de “não fragmentar a pastoral”.

“A divisão está, muitas vezes, no nosso trabalho pastoral e na nossa mente, mas não na realidade. A realidade é única. Um jovem que está a pensar o que vai fazer na vida, ao mesmo tempo está a estudar, a pensar em constituir família ou a pensar na sua vocação, e participa em diferentes dimensões da vida da Igreja. Temos de aprender a unir mais do que dividir”, explica.

O caminho para uma unidade pastoral, explica, é a “vocação”.

Convocada a viver um caminho sinodal rumo ao encontro, no Vaticano, em 2023, que vai juntar os bispos na reflexão sobre o tema «Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão», o padre Rossano Sala indica que este caminho vai “diagnosticar a qualidade relacional da Igreja”, interna e externamente e desafiar a uma “espiritualidade de relação”.

“Primeiramente será um diagnóstico da qualidade relacional da Igreja e na Igreja, a nível interno percebendo a qualidade das relações, a qualidade do nosso viver juntos, e também a nível externo, nas relações com os outros sujeitos que vivem no mundo e na sociedade, uma qualificação do nosso modo de comunicar, de escutar e dialogar”, explica.

O padre salesiano afirma que com o Sínodo dos jovens e da Amazónia, “a Igreja percebeu que estava em débito de escuta”.

“A Igreja não escutou e não deu a palavra suficientemente. O próximo documento preparatório, a publicar em setembro, vai exortar a uma escuta autêntica. O Papa Francisco disse, no início do Sínodo dos jovens, que para realizar bem o Sínodo devia haver franqueza no falar e grande disponibilidade para escutar. São condições essenciais para um caminho sinodal”, afirma.

O responsável destaca a “novidade” no caminho preparatório, que vai envolver todas as dioceses do mundo, e convocará as conferências episcopais continentais rumo a “uma escuta verdadeiramente de todos”.

“É fundamental para que haja um olhar universal e global. Sabemos que muitos desafios são diversos mas são também iguais. O mundo é uma aldeia. Pensemos no fundamentalismo religioso que assume diferentes formas em diferentes locais, pensemos nas migrações, um desafio que atravessa todos os continentes, a pandemia que não pode deixar ninguém indiferente – países ricos e pobres de todos os países”, indicou.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

O padre Rossano Sala sublinha ainda que “sinodalidade não é democracia”, mas “um caminhar juntos e na escuta do Espírito”.

“O nosso grande risco é sempre o de opor-se ao Espírito. O discernimento ajuda a compreender o Espirito e a forma como ele espalha a Igreja”, reconhece.

Sobre a realidade portuguesa – o padre Rossano Sala está em Portugal pela quarta vez – o sacerdote salesiano indicou que a Igreja, em Portugal, tem a grande ocasião de “aprofundar o caminho sinodal e trabalhar juntos”, com a realização da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

“O que vamos fazer juntos, no laboratório, terá esse objetivo: formação para a missão, ou seja, vamos aprender a identificar o nosso estilo relacional, aprender a partilhar os desafios e oportunidades e a caminhar juntos”, explicou.

LS

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