Os mais de sete mil participantes foram recebidos pelo Papa

Roma, 27 out 2015 (Ecclesia) – O diretor-executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) afirmou que a Peregrinação Mundial do Povo Cigano a Roma mostrou “a cultura e a maneira de ser" desta etnia na festa e na celebração da fé.

Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, Francisco Monteiro refere que “a cultura e a maneira de ser ciganas”  “aculturaram tanto a Eucaristia como o concerto” que faziam parte deste encontro que terminou esta segunda-feira, em Roma.

Francisco Monteiro assinala como “notável” a “transformação” que o povo cigano fez na Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor, onde está uma capela ao ar livre dedicada ao Beato Zeferino (El Pélé), e no concerto de música cigana, na Basílica de Nossa Senhora em Trastevere.

“De repente, a liturgia da Eucaristia animou-se com a vivacidade dos cânticos, dos aplausos, e com a participação das crianças”, explica o diretor da ONPC, destacando que uma das orações dos fiéis foi lida em português por um jovem da Diocese do Porto (Espinho), Cristiano Carmo.

De Portugal participaram seis ciganos das Dioceses de Viana do Castelo, Porto e Guarda acompanhados por responsáveis da Pastoral Nacional dos Ciganos e das Pastorais diocesanas dos ciganos do Porto (OVAC) e da Cáritas de Vila Real.

Sobre o concerto comenta que de “súbito animou-se” com palmas e danças da assistência que “dava as mãos e percorria a igreja dançando e cantando”, associando-se aos músicos.

A peregrinação mundial do povo cigano a Roma comemorou o 50.º aniversário da visita histórica do Beato Paulo VI ao acampamento de Pomezia, nos arredores da capital italiana.

Do programa da peregrinação destaca-se ainda uma visita às catacumbas e uma Via Sacra no Coliseu, com um texto da autoria do presidente do Comité Católico Internacional para os Ciganos (CCIT) e diretor da Pastoral Nacional dos Ciganos de França, o padre Claude Dumas, desta etnia, e a “6.ª estação foi rezada em português”.

O Papa Francisco recebeu mais de 7 mil participantes desta peregrinação e assinalou que é hora de “virar de página”, que “não deem aos meios de comunicação e à opinião pública ocasião para falarem mal” deles.

Sobre o encontro desta segunda-feira, na sala Paulo VI, Francisco Monteiro revela que o Papa “chegou mais cedo do que o previsto” e “lentamente” percorreu a sala, como quem se quer encontrar com as pessoas e “se preocupa com elas”, sorriu, cumprimentou os presentes e “ouviu as pessoas”.

Neste encontro, o presidente do Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes, o cardeal António Vegliò, recordou a pobreza e os crimes que os ciganos sofrem, “mencionando os ciganos muçulmanos”.

A Peregrinação realizou-se entre 23 a 26 de outubro e foi organizada pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI), com a colaboração da Fundação Migrantes e da Comunidade de Stº Egídio.

CB/PR

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