Manuel Lemos admite que solução para médicos de família passe por integrar profissionais estrangeiros

Porto, 22 mar 2026 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) alertou para o encerramento de camas nos cuidados continuados, assumindo a preocupação com a sustentabilidade desta rede nacional.
“No ano passado já diminuímos em cerca de 300 camas, porque houve entidades que, com grande pena, tiveram de fechar”, disse Manuel Lemos, convidado da entrevista conjunta Ecclesia/Renascença, emitida e publicada aos domingos.
O responsável admitiu novos encerramentos, em 2026, e abordou ainda o fenómeno dos internamentos sociais e a evolução do perfil dos idosos em lares.
“Vai para o Lar a pessoa que não tem retaguarda familiar, vai a pessoa com demência e que a pessoa não se pode ter em casa, vai o africano que não tem retaguarda, não tem família em Portugal e vai também, ou ainda continua a ir aquela pessoa de há mais de 15 anos que achava que este era um sítio ótimo para terminar os seus dias”, precisa o presidente da UMP.
Manuel Lemos defendeu a participação do setor social na área da saúde familiar, para assegurar a equidade no acesso aos cuidados em Portugal.
As instituições do setor social cooperam com o Estado e, portanto, movem-se num mundo diferente do setor privado, que naturalmente, e sem prejuízo das questões éticas que são protegidas, tem a remuneração do capital investido. Não é o nosso caso, nós estamos na saúde porque temos uma obra de misericórdia que nos manda cuidar dos enfermos.”
Relativamente à criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) modelo C, o presidente da UMP manifestou a disponibilidade das instituições para assumirem a gestão destes centros.
Manuel Lemos apontou a falta de médicos de medicina familiar como o principal obstáculo e sugeriu soluções alternativas, incluindo a contratação de profissionais estrangeiros.
“Porque não? Nós estamos a importar imigrantes, porque é que não podemos importar imigrantes médicos, desde que asseguremos que a sua formação é boa? Nós precisamos desesperadamente de pessoas”, assinalou.
Sobre o papel da Igreja Católica, o presidente da UMP apelou a um compromisso mais visível no combate às assimetrias no acesso à saúde.
“Nós temos de ser, de alguma maneira, os líderes, porque está no nosso cerne, na nossa natureza de ser, na nossa forma de ser e de estar, de ajudar quem sofre”, assumiu.
Manuel Lemos concluiu reforçando que a misericórdia deve ter uma tradução prática no terreno, aproximando as instituições de quem mais sofre.
“Isso hoje é fundamental, na proteção social e na saúde”, observou o responsável.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
