Francisco passa por Sófia e Rakovski, «coração» do catolicismo local

Cidade do Vaticano, 05 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa iniciou hoje uma viagem de dois dias à Bulgária, num programa marcado pela atenção aos refugiados e o diálogo ecuménico, num país em que os 68 mil católicos representam menos de 1% da população.

Francisco foi recebido no aeroporto internacional de Sófia pelo primeiro-ministro búlgaro,  Boyko Borisov, e quatro crianças em trajes tradicionais, que lhe ofereceram flores, antes se seguir para a sala VIP, onde decorre um encontro privado.

O Papa desloca-se ao Palácio Presidencial, que acolhe a cerimónia de boas-vindas, com honras militares, para um primeiro encontro com o chefe de Estado, Rumen Radev.

Francisco enviou uma videomensagem à população búlgara, falando do país como “pátria de testemunhas da fé, desde a época em que os santos irmãos, Cirilo e Metódio, ali semearam o Evangelho”.

O Santo Sínodo, organismo máximo da Igreja Ortodoxa na Bulgária, autorizou o Papa a visitar a Catedral de S. Alexander Nevsky e rezat em privado diante do trono de São Cirilo e Metódio, dois irmãos missionários que tiveram um papel decisivo na evangelização dos países do Leste europeu, no século IX.

A Bulgária é a primeira de uma série de etapas que levam o Papa à Macedónia do Norte (7 de maio) e à Roménia (31 de maio-2 de junho), ao encontro de responsáveis ortodoxos, procurando descongelar relações historicamente difíceis.

Francisco manifesta a sua satisfação por poder encontrar-se com o patriarca Neófito e o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa na Bulgária: “Juntos, manifestaremos o nosso desejo de seguir o Senhor Jesus no caminho da comunhão fraterna entre todos os cristãos”.

Na sua mensagem aos búlgaros, Francisco fala nos “tempos difíceis do século passado”, numa alusão ao regime comunista, e recorda a visita de São João Paulo II ao país, em maio de 2002, para referir-se ao “poder libertador de Cristo” e aos “dois pulmões” da Europa, o Leste e o Ocidente.

Outra figura católica do século XX que inspira a viagem é o Papa São João XXIII, que, durante quase dez anos, foi delegado apostólico em Sófia.

“Era um homem de fé, de comunhão e de paz. Por isso, escolhi como lema desta minha Viagem o título da sua histórica encíclica ‘Pacem in terris – Mir na zemyata’. Que Deus conceda a paz e a prosperidade à Bulgária”, conclui Francisco.

O programa da visita começa na capital búlgara, na manhã de domingo, com a cerimónia de boas-vindas e uma visita ao presidente da República, antes do tradicional discurso papal perante autoridades políticas, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático, na Praça Atanas Burov.

Para as 12h00 (menos duas em Lisboa) está marcada a visita ao Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa, na catedral patriarca; uma hora depois, Francisco recita a oração do Regina Coeli e, às 16h45, preside à Missa na Praças Knyaz Alexander I.

A segunda-feira inicia-se com uma visita privada a um campo de refugiados em Sófia.

A responsável do setor de Comunicação da Cáritas local, Vanya Klecherova, espera que esse gesto “possa encorajar um clima de acolhimento”; a organização católica ajudou cerca de 2700 refugiados, em 2018.

Francisco segue depois em avião para Rakovski, cerca de 150 quilómetros a leste se Sófia, o principal centro católico na Bulgária, onde vai presidir à Missa, com primeiras comunhões, antes de um encontro com responsáveis do clero e institutos religiosas, na igreja de São Miguel Arcanjo.

Às 17h15 (hora local), o Papa regressa a Sófia para uma oração pela paz com representantes de diversas confissões religiosas, na Praça Nezavisimost.

Na capital búlgara é possível encontrar, a poucos metros de distância, a catedral ortodoxa, a catedral católica, a grande mesquita e a sinagoga.

De Sófia, o Papa segue para a Macedónia do Norte, esta terça-feira, para uma viagem de 10 horas centrada na figura de Santa Teresa de Calcutá, natural de Skopje, capital do país.

OC

Francisco fez até hoje 28 viagens internacionais, nas quais visitou 41 países, passando pelo Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba, Estados Unidos da América, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, México, Arménia, Polónia, Geórgia, Azerbaijão, Suécia, Egito, Portugal, Colômbia, Mianmar, Bangladesh, Chile, Perú, Bélgica, Irlanda, Lituânia, Estónia, Letónia, Panamá, Emirados Árabes Unidos e Marrocos; as cidades de Estrasburgo (França), onde esteve no Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia), Sarajevo (Bósnia-Herzegovina) e Lesbos (Grécia).

 

 

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