Igreja/Quaresma: Bispo da Guarda alerta que perdão dos pecados exige mais do que «simples pedido de desculpa»

D. José Miguel Pereira sublinha importância do sacramento da Reconciliação

Fot: Diocese da Guarda

Guarda, 16 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda afirmou este domingo que o perdão dos pecados é mais do que um pedido de desculpas, sublinhando a importância do sacramento da Reconciliação.

“O perdão dos pecados não é nem se recebe por um simples pedido de desculpa (a outrem ou a Deus). Não basta, para o receber, pedir diretamente desculpa a Deus”, afirmou D. José Miguel Pereira, na quinta sessão do ciclo de catequeses quaresmais, que decorreu Igreja Paroquial do Sabugal, com as comunidades do arciprestado local e de Almeida.

O responsável católico abordou a diferença entre “desculpar a ofensa”, “perdoar o outro” e “perdoar os pecados”, evocando expressões como “não lhe quero mal mas não consigo perdoar” ou “perdoo mas não esqueço”“.

Estas frases, tantas vezes não se limitam a afirmar que as ofensas ficaram gravadas na memória (o que seria uma realidade expectável, pois a nossa memória guarda as experiências significativas, sejam positivas ou negativas), mas que se guarda um sentimento de dívida por saldar.”

A reflexão do bispo da Guarda, enviada à Agência ECCLESIA, centrou-se na dinâmica do Sacramento da Reconciliação, mais do que “uma ajuda para ultrapassar um sentimento de mágoa, ou de injustiça não reparada que atormenta, ou de um peso por falhas praticadas que desconforta”.

D. José Miguel Pereira recordou que Jesus Cristo deixou o mandato de perdoar os pecados à Igreja, que o exerce de várias formas, nomeadamente propondo a virtude da penitência através do jejum, da oração e do cuidado do outro.

“O modo ordinário de o receber durante a vida passa pelo ministério da Igreja”, precisou.

O prelado defendeu a manutenção da confissão individual, perante a constatação de que os constrangimentos relacionados com a culpa são ultrapassados de forma mais profunda através do diálogo personalizado com o sacerdote.

“No caso da penitência, tornou-se mais comum a celebração e receção individuais, para facilitar a reserva de identidade do penitente, e tendo em conta que a comunidade está sempre presente no ministro ordenado que a representa”, observou D. José Miguel Pereira.

A próxima catequese quaresmal do bispo da Guarda está agendada para o dia 22 de março, às 16h00, na Igreja de Santa Maria, em Trancoso.

OC

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