Combonianos: Faleceu o padre Germano Serra

Lisboa, 16 mar 2026 (Ecclesia) – O padre Germano Serra, um Missionário Comboniano português a trabalhar no Uganda, morreu naquele país africano, na manhã do dia 14 de março de 2026, vítima de um acidente cardiovascular.

O padre Germano era natural de Fânzeres, Gondomar, onde nasceu a 26 de janeiro de 1956 e, apesar de ter sentido a chamada à vida missionária quando tinha apenas 12 anos, só acabou por entrar no seminário comboniano já a caminho dos 24.

Antes tinha frequentado o ensino técnico e trabalhado numa metalomecânica no Porto e, por algum, tempo ainda frequentou o Instituto de Engenharia, que acabou por abandonar. É o que na gíria se chamava uma “vocação adulta”, lê-se numa nota enviada à agência ECCLESIA.

Fez a sua primeira profissão religiosa em 21 de maio de 1983 e a profissão perpétua em 28 de novembro de 1988.

Enamorou-se do povo Karimojong (ou Karamojong) desde que foi estudar teologia para Kampala, a capital do Uganda, em 1984. Aproveitava as férias para ir para Kanawat, uma das missões que os Combonianos tinham – e têm – entre aquele povo pastoralista e guerreiro.

É ordenado sacerdote no dia 4 de junho de 1989 e regressa ao Uganda já como padre, em 1993. O seu sonho era trabalhar entre o povo que melhor conhecia.

É destinado ao Karamoja onde há duas dioceses – Kotido e Moroto – esta última liderada por um bispo comboniano.

É introduzido à realidade pelo padre Mario Mantovani, que viria a ser morto numa emboscada em 2003. Desde então, perfez mais de duas décadas de trabalho no Uganda – em dois períodos (1993-2004 e desde 2012) – intercalados com trabalho em Portugal.

O padre Germano Serra embrenha-se mais profundamente na realidade Karimojong em 1998, submetendo-se à cerimónia de iniciação tribal e interessa-se pela língua local. Apesar de não ter preparação em lexicografia, sentiu que não podia deixar cair em saco roto o legado de dois grandes conhecedores da língua karimojong, os Combonianos padres Crazzolara e Novelli. Por isso, aconselhado por alguns especialistas que contactou, decidiu apoiar-se no material que este último tinha deixado – mais de 600 folhas de apontamentos à mão, em que, além do significado das palavras, havia frases exemplificativas.

O padre Germano acabaria por formar uma equipa internacional para o ajudar na empresa do dicionário: um lexicógrafo em Brighton (Inglaterra), que lhe vende o programa, uma dactilógrafa Ugandesa, uma revisora de Inglês a viver em Espanha (jubilada da Universidade de Salamanca), um corrector da língua Karimojong, uma grafista em Portugal, e um par de conselheiros da Universidade de Makerere, em Kampala. O resultado foi uma obra de 765 páginas, que inclui o significado das palavras e o modo como se podem usar. O trabalho foi subsidiado pela Conferência Episcopal Italiana e a impressão pelo Movimento de Solidariedade Missionária de Viseu.

Seguindo a tradição comboniana, ele manifestou o desejo de ser sepultado na sua terra de missão e a sua comunidade paroquial de Fânzeres celebra a eucaristia do seu funeral sem corpo no próximo sábado dia 21 de março de 2026.

LFS    

 

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