Padre João Gonçalves revela que participação ativa na Jornada Mundial da Juventude 2022 está no horizonte

Lisboa, 05 fev 2020 (Ecclesia) – O coordenador da Pastoral Penitenciária, da Igreja Católica em Portugal, disse que as leis têm de ser “muito mais humanizantes” e explicou que “é importante para os presos falar-se de liberdade e de horizonte”, no contexto do encontro nacional em Fátima.

“As leis têm de ser muito mais humanizantes, quando há uma lei que se faz, sobretudo para aplicar a pessoas que estão em situações difíceis como é a questão da prisão, ou que podem levar à prisão, têm que ser leis que por trás há um sentido de recuperar a pessoa”, disse o padre João Gonçalves.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o coordenador nacional da Pastoral Penitenciária da Igreja Católica contextualiza que nos tribunais “os meritíssimos juízes têm a lei”, que têm de aplica, mas “tudo vai muito mais lá atrás ao governo, à Assembleia da República”.

“A própria lei ao ser aplicada humanize a pessoa e não a desumanize, nem infantilize, nem a despersonalize que é o que acontece muitas vezes no sistema penitenciário”, observou.

O sacerdote da Diocese de Aveiro, que trabalha neste setor há mais de 40 anos, como nota positiva destacou a reformulação da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, que fez diminuir o número de pessoas nas prisões, “mais de duas mil pessoas, o que é muito importante”.

“Sobretudo, com a questão da alternativa da pena, das prisões, que há pessoas que podem transformar em multas, mas também reduzir as pessoas que estão nas cadeias por pequenas multas, e depois a vigilância eletrónica”, exemplificou.

O coordenador da Pastoral Penitenciária assinala que a prisão “devia servir não apenas de castigo para a pessoa que fez mal, ou como exemplo para a própria comunidade”, ou até para proteger o próprio que cometeu algum ilícito tem que ser protegido da sociedade para que não haja agressões contra ele ou façam justiça pelas próprias mãos”, acrescentado a “reconstituição como pessoa para o futuro” do recluso.

‘Prisões e “Janelas com Horizonte”’, na linha do pensamento do Papa Francisco, é o tema do 15.º Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, esta sexta-feira e sábado, 7 e 8 de fevereiro, em Fátima (Hotel Santo Amaro).

“Fomos buscar estas expressões ‘janelas’ e ‘horizonte’ porque não queremos falar de cadeias hipotéticas, nem numa atitude de radicalismo que não haja cadeias, não temos essa atitude radical, embora fosse melhor que houvesse maneira de as pessoas pagarem pelos seus crimes ou ajudarem-se sem serem cadeias”, explicou.

Portugal vai organizar a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no verão de 2022 em Lisboa, e o sacerdote revela que “um gosto” era que o Papa “pudesse visitar uma cadeia”, sítios onde, “pela possibilidade”, faz “novos apelos”.

“As últimas jornada mundiais da juventude [Panamá 2019], os confessionários de madeira nas praças foram feitos pelos presos e essa hipótese também já se pôs aqui de nos mobilizarmos através da direção geral”, adiantou o coordenador da Pastoral Penitenciária, da Igreja Católica em Portugal.

Sobre este tema, destaca-se no programa do encontro nacional deste setor, a intervenção de D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e coordenador da JMJ 2022 para a área pastoral, que vai falar sobre as Jornadas Mundiais da Juventude e as interpelações à Pastoral Penitenciária.

Ao longo desta semana, o programa ECCLESIA, na rádio Antena 1, às 22h45, está a apresentar o testemunho de quem visita e acompanha os reclusos em Portugal.

PR/CB

 

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