Instituição registou 120 mil atendimentos em 2018

Lisboa, 17 mar 2019 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa inicia hoje a celebração da sua semana nacional, este ano com o tema ‘Uma só família humana, cuidar da casa comum’.

Na sua mensagem para esta celebração, o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana afirma que a missão da Cáritas é “despertar” para a “solidariedade no concreto”.

“Há que ‘cuidar do mundo’, cuidando ‘da qualidade de vida dos mais pobres’. A solidariedade não pode permanecer no abstrato”, escreveu D. José Traquina, no documento enviado à Agência ECCLESIA.

“Sabemos por experiência que é a partir do pessoal encontro (mais imediato ou mais mediato) com o outro que podemos compreender quem somos”, assinala o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

O bispo de Santarém explica que essa experiência permite “quebrar barreiras, ultrapassar muros divisórias” e no mundo que é casa onde as pessoas são “vizinhos (por efeito da globalização)” podem tornar-se “irmãos, por exigência moral”.

“Formamos, na verdade, uma só família humana. Reconhecermo-nos todos como irmãos permite interrogarmo-nos, para lá de eventuais preconceitos, sobre as reais condições de vida desta família que somos”, desenvolve D. José Traquina.

Na mensagem para a Semana Cáritas, o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana recorda a “bela” encíclica do Papa Francisco ‘Laudato si’ que “vale a pena retomá-la”, sobretudo para “a assumir num novo estilo de vida que é urgente viver”.

A Cáritas Portuguesa assinala que, durante a sua semana nacional, a rede nas dioceses vai promover momentos de “envolvimento público e de animação local”, onde se destaca o peditório público, de 21 a 24 deste mês.

Este é um momento que a Cáritas privilegia não apenas pela sua dimensão de angariação de verbas, que se destinam à ação social local de todas as Cáritas diocesanas, mas por ser uma oportunidade de contacto direto com a população, com aqueles que apoiam a missão, e, em muitas situações, com aqueles que são beneficiários em Portugal”.

A rede Cáritas Portuguesa, constituída por 20 Cáritas Diocesanas, registou mais de 120 mil atendimentos, em 2018.

Para o presidente da instituição, Eugénio Fonseca, estes dados da sociedade portuguesa indicam que “há um número demasiado elevado de pessoas” que necessitam de apoio da sociedade civil para “poderem responder às necessidades básicas de sobrevivência e de dignidade humana”, enquanto aguardam por “medidas de políticas redistributivas mais equitativas”.

O comunicado informa ainda que o Peditório Público em 2017 angariou mais de cento e oitenta e um mil euros (um total de 181 487,45€) que foram aplicados em projetos diocesanos de apoio socioeconómico “à população em situação de carência”.

O primeiro motivo que leva as pessoas a pedir ajuda à Cáritas é a falta de trabalho ou insuficiência de rendimentos, ou seja, pessoas e famílias  –  mesmo tendo assegurado um posto de trabalho – cujo rendimento familiar não é suficiente para assegura de forma autónoma as despesas básicas de sobrevivência.

Para além do serviço a nível nacional, a Cáritas Portuguesa exemplifica que a nível internacional apoiou “diferentes situações numa resposta de emergência”, como populações vítimas das enxurradas em Moçambique, um projeto de apoio à melhoria da segurança alimentar no Sudão do Sul, ou as vítimas dos incêndios na Grécia, para além de “acompanhamento nas decisões públicas e políticas”, estando, agora, comprometida com o projeto europeu ‘MIND – Migrações, Interligação e Desenvolvimento’.

O trabalho da instituição é realizado por um conjunto de 1500 colaboradores profissionais, 80 dirigentes e conta com a colaboração regular de cerca de 250 voluntários e mais de cinco mil voluntários ocasionais.

CB/OC

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