Igreja/Portugal: Secretariados da Mobilidade Humana têm «o grande desafio de evangelização» e «integração social»

«O que está em causa são pessoas, são comunidades com especificidade própria, e às quais a Igreja tem que estar realmente atenta e solicita» – D. Pedro Fernandes

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 19 mai 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana reuniu as quatro obras pastorais deste setor e destacou “o grande desafio de evangelização” neste “encontro muito inicial de trabalho”, esta terça-feira, na sede da Conferência dos Bispos Portugueses, em Lisboa.

“Eu diria, de uma forma bastante genérica, que há o grande desafio de evangelização em todas estas áreas, de evangelização, de proposta do Evangelho, mas, em todo caso, também de integração social, de acolhimento das pessoas”, disse D. Pedro Fernandes, em declarações à Agencia ECCLESIA, após a reunião na Quinta do Bom Pastor, em Benfica.

“De valorização, de promoção, de acompanhamento dos diferentes grupos sociais que estão implicados nestes quatro secretariados, nestas quatro obras. E é, de facto, um desafio importante, tendo em conta que o que está em causa são pessoas, são comunidades com especificidade própria, e às quais a Igreja tem que estar realmente atenta e solicita, contribuindo para a sua integração social”, desenvolveu o bispo de Portalegre-Castelo Branco.

O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH), da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), teve hoje “um encontro muito inicial” com os responsáveis das quatro obras do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana – a Pastoral dos Ciganos, a Pastoral do Mar, a Pastoral do Turismo e a Obra Portuguesa das Migrações (OCPM) – para conhecerem-se “melhor”, de apresentação e partilharem “o trabalho e os desafios” que estão a encontrar e perceberem “também um pouco quais são os caminhos de futuro”.

“Estamos todos a caminho, estamos a fazer um trabalho com muita continuidade e, acho que, com muita consistência. Portanto, não há um projeto ou uma proposta bombástica, há a continuidade de um trabalho muito válido, que tem vindo a ser feito ao longo de décadas, e que é preciso conhecer e valorizar”, assinalou D. Pedro Fernandes.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) sublinha que este primeiro encontro do Secretariado Nacional da Mobilidade Humana com o seu presidente teve o propósito de “conhecer, apresentar cada setor, partilhar preocupações”, para também descobrirem preocupações comuns e pensarem “o que fazer em conjunto”, e que desafios têm atualmente.

“Acompanhar o melhor possível os nossos missionários e as nossas comunidades que estão na diáspora, o verbo integrar será aquele que temos que aprofundar lá fora, cá dentro também: o acolhimento, a integração, a questão da promoção humana. Eu acho que, cada vez mais, somos chamados a trabalharmos em conjunto dentro da Igreja, e com outros setores da sociedade civil”, disse Eugénia Quaresma, sobre as preocupações e os desafios da OCPM, à Agência ECCLESIA.

A Conferência Episcopal Portuguesa elegeu o bispo de Portalegre-Castelo Branco, religioso espiritano, para presidir à Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, por três anos, num mandato até 2029, na última Assembleia Plenária, realizada de 13 a 16 de abril, em Fátima.

D. Pedro Fernandes, ao longo deste mês como presidente da CEMH tem estado a “perceber os estatutos de cada uma destas obras”, esse caminho já percorrido, o “trabalho feito” em cada uma das quatro áreas, “e o caminho que é feito em conjunto”.

“Nesse sentido, este encontro é também um ponto de chegada desse trabalho de alguma reflexão, e de algum conhecimento inicial e, sem dúvida, um ponto de partida para mim, em termos de trabalho com estes serviços pastorais importantes”, acrescentou.

A CEMH nasce da divisão da Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana, que fica agora de forma autónoma na organização da CEP.

CB

Foto: Agência ECCLESIA/MC

D. Pedro Fernandes foi ordenado bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco no dia 16 de novembro de 2025, religioso da Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos), e esteve em missão em várias geografias, dessa experiência missionária traz para a mobilidade humana da Igreja Católica em Portugal “vontade, justamente, de levar muito a sério a missão e a evangelização de todas as pessoas, no respeito por todas as especificidades e diversidades culturais, humanas, espirituais”.

“Esta área da mobilidade humana, naturalmente, mexe com diferentes identidades. E parece muito importante na Igreja que nós, precisamente, ao serviço da unidade e da comunhão, percebamos que não é possível essa unidade e essa comunhão sem o respeito e a integração de todas as diversidades, não se pretende nem dispersar, nem diluir. Isso parece-me particularmente importante”, desenvolveu.

Segundo o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, “se há alguma experiência que qualquer missionário tem” é a gestão das diversidades culturais e espirituais e religiosas, e, nessa diversidade, “trabalhar ao serviço da unidade, do diálogo, da comunhão, da escuta, da construção comum de projetos que tenham a ver com todos e que tenham a ver com o bem comum”.

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