Igreja/Portugal: Reitor do Seminário dos Olivais apela ao investimento nas vocações sacerdotais e propõe pensar tema em conjunto a nível nacional

«Nós não podemos ficar a olhar para as ruínas e para a dificuldade», defendeu o padre Nuno Amador

Foto: Vatican Media

Lisboa, 04 nov 2026 (Ecclesia) – O reitor do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais, do Patriarcado de Lisboa, defendeu o investimento nas vocações sacerdotais, perante a realidade de ausência de candidatos a este ministério no país, e propôs pensar o tema a nível nacional.

“Eu não sou derrotista em relação a essa dimensão. Agora, se nós queremos, obviamente, olhar com atenção a questão vocacional, nós não podemos deixar de investir nela. Temos que investir”, afirmou o padre Nuno Amador, em declarações à Agência ECCLESIA.

No Seminário dos Olivais, o sacerdote explicou que a realidade vocacional, comparada a outras regiões do país, é positiva, avançando que nesta casa residem 51 seminaristas, de nove dioceses diferentes (Aveiro, Funchal, Guarda, Lisboa, Santarém, Cochin – Índia, Trivandrum – Índia, São Tomé e Príncipe, Mindelo – Cabo Verde).

No Seminário de São José de Caparide estão mais 26 jovens, a que se juntam sete do Seminário de Penafirme e cerca de 10 do Seminário Redemptoris Mater, em Lisboa.

A realidade podia ser melhor, é verdade, mas creio que temos que agradecer estes que temos e o número que temos. Como é que eu olho para isto? Eu olho para isto como a necessidade de investirmos na promoção vocacional e no trabalho vocacional”, declarou o padre Nuno Amador.

O sacerdote destaca que “é preciso envolver as famílias”, as escolas, a Pastoral Juvenil e Universitária, bem como as paróquias, os movimentos e comunidades.

“Creio que nós hoje, em Lisboa, temos este número de seminaristas, porque creio que temos a graça também, obviamente, de ter uma população que é maior do que noutros sítios do país”, observa.

No entanto, o reitor do Seminário Maior de Cristo Rei dos Olivais realça que a diocese contém muitas experiências de universitários que “fazem a diferença”, como “campos de férias”, a Missão País, iniciativas de algumas paróquias onde ainda se mantêm “grupos de jovens fortes e vivos”.

O padre Nuno Amador defende que em Lisboa tem havido “muito” o empenho na questão vocacional e que sinal disso é a entrada de rapazes para o seminário e de raparigas para a vida religiosa, “para alguns caminhos de consagração”.

“Eu sinto que vai havendo esse investimento. Acho que era uma coisa que precisava de ser pensada a um nível mais global. Seria bom pensar isso a um nível nacional, também, em conjunto, porque obviamente, repito, nós não podemos ficar a olhar para as ruínas e para a dificuldade”, reforçou.

LJ/OC

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a Semana de Oração pelos Seminários, que decorre até domingo, com o tema “Comunidade que reza, Seminário que floresce”.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Educado no seio de uma família católica, José Maria Duarte, de 27 anos, é aluno do 6ºano do Seminário dos Olivais e explica o seu caminho de descoberta de vocação.

O seminarista lembra que um “momento muito importante da passagem da fé familiar” para a fé pessoal foi a participação no projeto “Missão País”, quando estava a formar-se em gestão na Universidade Católica Portuguesa.

José Maria Duarte testemunha que aí percebeu que “Deus não era mais uma dimensão” da sua vida, mas aquele “que une todos os pontos e que dá um sentido”.

Na altura, o jovem recorda que não estava a gostar muito do curso que estava a tirar e que colocou a hipótese de trocar de área: “Graças a Deus não demorou muito tempo esse pensamento. Depois, eu lembro-me de um dia estar a ir para a Missa na Católica e uma amiga minha mandar-me uma boca a dizer que eu ia parar ao seminário”.

José Maria Duarte relata que começou a ser acompanhado espiritualmente na universidade e que foi crescendo o desejo de ser padre, tendo entrado no seminário em setembro de 2022; o próximo passo no caminho ao sacerdócio vai ser dado no dia 29, com a ordenação diaconal.

Foto: Agência ECCLESIA/LJ

Nos Olivais reside também Nelsón Shelton, de 24 anos, da Arquidiocese de Trivandrum, na Índia, que veio para Portugal em 2023 depois de ter sido convidado pelo reitor do seminário menor no país de origem a fazer formação em Lisboa.

“Estou a gostar muito desta cultura portuguesa, também estou com muita alegria, com muito gosto, a viver aqui em Portugal”, expressa, indicando que a adaptação à língua foi “um bocadinho muito difícil”, mas que se encontra a ter aulas.

Sobre o caminho formativo, Nelsón Shelton salienta as atividades que os seminaristas têm ao fim de semana, em que que têm a oportunidade de visitar as paróquias.

“Isto também ajuda muito na nossa vocação, na nossa formação, para ser um bom padre, para ser um bom pastor para o povo de Deus”, disse.

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