D. Delfim Gomes é apresentado à Arquidiocese minhota esta segunda-feira

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Lisboa, 04 dez 2022 (Ecclesia) – D. Delfim Gomes, que o Papa nomeou como auxiliar de Braga, a 7 de outubro e foi ordenado bispo este domingo, assumindo a preocupação de “contacto” com as pessoas e serviço às comunidades.

“O que procurei fazer, na minha vida, foi dar-me: dar-me às comunidades, aos serviços diocesanos que nos pediam colaboração e ajuda, nos quais tinha assumido responsabilidades”, disse à Agência ECCLESIA.

O auxiliar de Braga é apresentado à arquidiocese minhota esta segunda-feira, Festa de São Geraldo, pelas 17h30, na Sé.

A ordenação episcopal foi presidida por D. José Cordeiro, arcebispo metropolita de Braga, na Catedral de Bragança, numa celebração com a presença de cardeais arcebispos e bispos de Portugal e Espanha.

Questionado sobre a reação à notícia da escolha episcopal, pelo Papa Francisco, D. Delfim Gomes admite ter sentido uma emoção especial.

“Procurei interiorizar, digerir um pouco esse convite, mas fica-se abalado, evidentemente”, relata.

O novo “desafio” vai ser assumido com o mesmo espírito com que o bispo português desempenhou a sua missão sacerdotal.

“Não ficamos desfragmentados, vamos com o nosso passado, a nossa história, a nossa experiência que é fruto de muitos anos de contactos com tantas pessoas, que nos enriqueceram”, afirma.

O responsável, de 60 anos, pertencia ao clero Diocese de Bragança-Miranda, onde colaborou com D. José Cordeiro, reencontrando agora o seu antigo bispo, em Braga.

“Fomos seminaristas, fizemos todo o percurso um com o outro e isso ajuda imenso, porque há uma proximidade muito grande”, declara.

As duas dioceses estão ligadas, historicamente, pela figura de São Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), que o novo bispo considera uma “inspiração”.

“Nos últimos anos, temos vindo a descobrir cada vez mais, essa figura incontornável da nossa espiritualidade, da nossa Igreja. Há tanta coisa que Frei Bartolomeu dos Mártires fez nas nossas dioceses que nos deixa de boca aberta: sentia a preocupação de ir às periferias, de ir de Braga até Freixo de Espada à Cinta”, realça.

D. Delfim Gomes escolheu como lema episcopal ‘É dando que se recebe’, da Oração da Paz atribuída a S. Francisco de Assis.

“São Francisco marcou-me profundamente, desde jovem, quando senti o convite e fui acompanhado nesse sentido [do sacerdócio]. Fascinou-me profundamente e, por isso, o meu lema teria de estar sob a influência de São Francisco”, explica.

D. Delfim Esteves Gomes nasceu a 1 de janeiro de 1962, em Bragança, Paróquia de Santa Maria, tendo sido ordenado sacerdote na mesma cidade, a 3 de setembro de 1989; a escolha do Papa leva-o agora de Trás-os-Montes para o Minho.

“Tenho de fazer essa adaptação. Naturalmente, as pessoas são boas, até agora a experiência tem sido muito positiva, no acolhimento, e estamos irmanados na mesma missão”, assinala.

Na hora de deixar a sua diocese natal, o novo bispo admite que se sente alguma emoção neste “encerrar de missão”.

“Tinha 13 comunidades, comunidades pequenas, com 40, 50 pessoas, com 20 pessoas… Todas tinham o seu calendário de celebrações e essas nunca ficaram para trás, antes pelo contrário. Privilegiávamos sempre o contacto com as pessoas”, recorda.

O padre é aquele que fica, que está nessas comunidades, nessas paróquias, e não abandona o seu povo”.

As suas insígnias episcopais (brasão, báculo, anel, cruz e mitra) assentam nas cores do Nordeste Transmontano.

“Sobre fundo cor de azeite, o óleo da unção, linhas curvas jorrando de nascente, o Nordeste Transmontano, sugerem água correndo e lembram a paisagem montanhosa; evocam o azeite que as terras destes lugares produzem em quantidade e qualidade. Perene evocação da paz, o ramo de oliveira, folhas e fruto, ratifica a regra do caminho para alcançar esse dom que o lema episcopal, colhido em São Francisco de Assis, enuncia: «In Dando Quod Accipis»”, indica a nota descritiva, divulgada pelas diocese de Bragança-Miranda e Braga.

D. José Cordeiro disse à Agência ECCLESIA que a chegada de um bispo auxiliar é “um dom, uma graça”, que “chega no tempo do processo sinodal, em curso” e no início da visita pastoral a todo o território arquidiocesano.

“É mais um colaborador, no serviço do Evangelho, na arquidiocese, onde é muito bem-vindo. Há enormes desafios, diante de nós. Muito foi feito, mas muito mais há para fazer”, refere o arcebispo primaz, que tomou posse a 12 de fevereiro deste ano.

PR/OC

Notícia atualizada às 17h00, 04.12.2022. Publicada inicialmente a 01.12.2022

Igreja/Portugal: D. Delfim Gomes foi ordenado bispo, na catedral de Bragança (c/fotos)

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