Curso de missiologia reflete sobre a condição de «batizados e enviados»

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Fátima, 30 ago 2019 (Ecclesia) – O presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) afirmou que “a missão deve ser realmente atrativa, o fruto da paixão” de quem se dedicada a este serviço, falando durante o Curso de Missiologia que decorre em Fátima.

“Devemos ser de facto apaixonados, não é para tentarmos convencer de nada, é para darmos o nosso testemunho de pessoas serenamente apaixonadas, e, por isso, a missão cada vez é mais importante”, disse o padre Adelino Ascenso à Agência ECCLESIA.

O presidente dos IMAG explica que o curso de missiologia “é preparado para todas as pessoas, principalmente para todas as batizadas” e adianta que tem existido “uma grande adesão”, participantes com “bastante interesse” e de uma “grande diversidade” vocacional – sacerdotes diocesanos, missionários de institutos religiosos, freiras e leigos – o que “é também um estímulo”.

“Há um grande número de jovens que partem como leigos missionários, isso é fantástico. É para nós, institutos missionários, e também para as dioceses, um estímulo que nos deve levar a agirmos também”, sublinhou o superior-geral dos Missionários da Boa Nova.

O curso de missiologia é bienal e a edição de 2019 corresponde ao 2.º ano do ciclo, com o tema ‘Batizados e enviados’, decorrendo até sábado, no Seminário da Consolata, em Fátima.

Já o bispo da Diocese de Bragança-Miranda, que apresentou o tema ‘A Missão em Portugal e desde Portugal’, afirmou que Portugal “é um país de missionários e, hoje também, um país de missão”.

D. José Cordeiro alertou para “o perigo” de viver do passado, “dito glorioso e de tanta presença no mundo”, quando hoje o “desafio maior” é para as Igrejas diocesanas, os Institutos de Vida Consagrada, como serem “testemunhas credíveis do Evangelho da esperança”, um “contágio por atração”, pela “qualidade da relação nas comunidades”.

É um esforço no quotidiano, não nos podemos ficar e limitar às celebrações maiores, ou grandes celebrações ou até manifestações da piedade popular; É neste esforço permanente pelo bem, pela construção do bem-comum, da promoção da defesa da dignidade da pessoa humana, na oração pessoal familiar, comunitária, na catequese, na liturgia, na caridade mas não por compartimentos estanques”, exemplificou, salientando que na “cultura dominante é preciso perder tempo com os outros, sobretudo com os que mais precisam”.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

A Igreja Católica em Portugal está a viver um Ano Missionário, até outubro, e o bispo de Bragança-Miranda vê esta iniciativa com “sentido muito positivo, uma realidade presente em todas as dioceses”.

A irmã Mariana Belo, religiosa timorense, considerou que ser missionária “não é assim fácil, como muitas pessoas pensam, também tem a sua exigência”, por isso está a participar em formações que “ajudam a estar com as pessoas e a estar com a missão”.

“Deixamos o nosso país, as nossas famílias; temos de nos obrigar a aprender uma língua e depois a cultura, e estar com o povo e a nossa maneira de ser”, exemplificou.

A freira que está em Portugal há 14 anos, atualmente na Diocese de Angra (Açores), dedica tempo das suas férias a este curso e assinala que os momentos de convívio e de reuniões de grupo também são de formação no contacto com “várias pessoas, várias nacionalidades” e, por exemplo, partilham “muito falar a língua – bom dia, boa tarde”.

A participar pela primeira vez, Mário Soares destaca por sua vez que a sua motivação para ser missionário, por enquanto em Portugal, foi “ir ao encontro do outro, das pessoas que necessita de ter conhecimento sobre Jesus”, e alimentação.

“É levar a nossa alegria, o nosso amor, para aquele que se encontra infelizmente abandonado, e, portanto, o momento em que lá chegamos e levamos o nosso sorriso, o nosso abraço é muito importante para eles, é isso que motiva”, explicou o Leigo Missionário Comboniano, da Diocese do Porto.

CB/OC

Igreja/Formação: Fátima acolhe uma nova edição do Curso de Missiologia (c/vídeo e áudio)

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