Organização da CNAL propõe caminhos abertos pela encíclica «Fratelli Tutti» para uma Igreja «una e diversa» mais participante

Lisboa, 08 nov 2021 (Ecclesia) – A Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos (CNAL) vai promover a 20 de novembro o encontro ‘Praça Central’, a partir da reflexão da encíclica ‘Fratelli Tutti’, do Papa Francisco, procurando fomentar o diálogo e “uma escuta ativa” entre diferentes experiências do ser Igreja.

“Tantas vezes entendemos o diálogo como monólogos paralelos, sem procura de um conhecimento mútuo e o que propomos é uma escuta ativa. Os carismas existem mas todos eles nos encaminham para a missão comum. A dificuldade aparece pela nossa característica humana, por isso uma das nossas missões é a promoção de diálogo entre os vários movimentos para que o trabalho conjunto se reconheça e se perceba como contributo do reino de justiça, paz e amor a construir”, refere à Agência ECCLESIA João Cordovil Cardoso, presidente do Conselho Nacional da CNAL.

‘A difícil arte da amizade social – como é importante sonhar juntos’ é o tema do encontro agendado para diferentes locais do concelho de Almada, na Diocese de Setúbal, que deseja convidar todos “homens de boa vontade” que se sentem chamados a contribuir para uma “sociedade mais humana e justa”.

“Se quisermos pensar numa sociedade mais humana e justa, mais virada para as pessoas, só temos como solução conhecer os outros como nossos irmãos. Essa é uma das missões da CNAL, e daqui deriva o nome do encontro – uma Praça central onde se dialoga com todos que queiram participar, ouvir e falar”, acrescenta o responsável.

A praça Central acontece desde 2013 e a edição deste ano ganho “novo um pano de fundo implícito” com a convocação do Sínodo dos Bispos, com o qual o Papa pede à Igreja uma reflexão alargada sobre a comunhão, participação e missão.

“A sinodalidade que o Papa sublinha é uma das preocupações do encontro. O Papa referiu que o sínodo não é um parlamento nem uma sondagem de opinião, mas um momento eclesial, onde o protagonista deve ser o Espirito Santo. Sem Ele não há Sínodo”, indica Maria do Rosário Lupi Belo.

“Não estamos ali por uma questão estratégica ou política mas num movimento de Igreja, uma posição que parte da fé para que percebamos qual a missão dos cristãos no mundo sobre esta grande responsabilidade para trabalharmos para a paz, para que fermente o mundo e colabore na felicidade dos homens”, acrescenta a secretária do Conselho Permanente da CNAL.

João Cordovil lamenta “um divórcio entre as pessoas e a política” e deseja, com a Praça Central, explicitar caminhos que evidenciem a participação, “não numa lógica de poder”, mas de “serviço”.

A partir da lógica da ferramenta do diálogo, diferentes âmbitos de participação vão ser explorados em áreas como a cidadania, a política e a cultura.

“Tantas vezes pensamos que estamos sozinhos, mas vamos ter 28 maneiras diferentes de fazer coisas. Não estamos preocupados que nos digam o que fazem, mas como é que me surgiu a ideia de fazer e como isto contribuir para melhorar o mundo”, indica.

Os responsáveis sublinham a importância do contributo pessoa de cada um, enraizado na consciência e prática cristã que, sendo pessoal, tem um sentido comunitário.

“A fé é algo pessoal mas não é individual. É comunitária e o ser humano é um ser em relação. Toda a vida é atravessada pelos valores em que se acredita, com consequências nas suas ações”, esclarece Maria Rosário Lupi Belo.

Na organização do programa esteve a preocupação de “tornar visível a unidade da Igreja” e a sua “diversidade na unidade”.

“Na constituição do programa quisemos dar espaço a todos, os diversos carismas e sensibilidades para que todos percebam que é nesta polifonia e neste conjunto diverso de vozes que se encontra o que é mais precioso e que nos une a todos, que é mais rico e maior do que as eventuais diferenças”, finaliza a secretária da CNAL.

HM/LS

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