Igreja/Portugal: CEP saúda novo presidente e pede apoio para vítimas das tempestades

Bispos esperam «atenção à dignidade de cada pessoa, sobretudo dos mais vulneráveis», por parte de António José Seguro

Foto: Lusa/Paulo Novais

Fátima, 10 mar 2026 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou hoje o novo Presidente da República, António José Seguro, e apelou à manutenção do apoio às vítimas das recentes tempestades no país.

“Desejamos-lhe um mandato ao serviço do bem comum, num espírito de diálogo e de encontro com todos, com atenção à dignidade de cada pessoa, sobretudo dos mais vulneráveis”, refere uma nota divulgada após a reunião do Conselho Permanente do episcopado católico, que decorreu em Fátima.

“Num tempo marcado por desafios sociais e tensões no contexto internacional, esperamos que o seu mandato contribua para promover a paz, a justiça e a coesão na sociedade portuguesa”, acrescentam os bispos portugueses.

O novo chefe de Estado tomou posse esta segunda-feira, na Assembleia da República.

A CEP deixa uma mensagem de gratidão a Marcelo Rebelo de Sousa, presidente cessante, “pelos últimos dez anos de serviço à nação e pela dedicação com que exerceu o seu mandato, valorizando o papel das instituições e a proximidade com as pessoas”.

Os responsáveis católicos abordam ainda as consequências das intempéries registadas em janeiro e fevereiro em várias regiões do país, manifestando “proximidade” aos desalojados, às famílias enlutadas, aos desalojados e a todos os que perderam os seus meios de subsistência.

“Renovamos o apelo a uma caridade concreta e atenta para que ninguém fique para trás e seja possível uma recuperação sustentada”, exorta a CEP.

O texto destaca a ação contínua das organizações católicas, na resposta de emergência e acompanhamento das vítimas.

Desde a primeira hora, em articulação com as autoridades civis e entidades locais, a Igreja, através das Cáritas, das paróquias e dioceses, tem procurado chegar a quem mais precisa com recolha e distribuição de bens essenciais, mobilização de voluntários e equipas técnicas, apoio social a famílias em maior fragilidade, alojamento de emergência; e acolhimento e acompanhamento pastoral.”

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Os bispos alertam para o agravamento da situação socioeconómica das populações mais carenciadas.

“As necessidades não terminaram com o fim da intempérie. As carências sociais mais graves serão sentidas de forma mais impactante com o passar do tempo, atingindo sobretudo as famílias mais vulneráveis que nem sempre conseguem aceder em tempo útil às respostas disponíveis”, refere a nota, enviada à Agência ECCLESIA.

O episcopado sublinha a importância dos fundos de emergência diocesanos, das renúncias quaresmais e da recente Semana Nacional Cáritas, para garantir a eficácia das respostas a médio prazo.

O Conselho Permanente pede o reforço de uma cultura de prevenção face aos fenómenos climáticos extremos.”

“Reafirmamos a nossa permanente oração e proximidade, e lembramos que o sofrimento causado pelas sucessivas tempestades que afetaram o nosso país não pode ser interpretado como um simples fenómeno meteorológico, mas deve impelir-nos a cuidar da ‘Casa Comum’, protegendo os mais frágeis”, sustentam os bispos.

O comunicado anunciou ainda a definição dos montantes das compensações a atribuir a vítimas de abusos sexuais no contexto da Igreja Católica em Portugal.

A próxima Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa encontra-se agendada para os dias 13 a 16 de abril de 2026, em Fátima.

OC

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