Passagem pelo Mediterrâneo marcada por mensagens em favor do diálogo e em defesa dos migrantes

Lisboa, 04 dez 2021 (Ecclesia) – O Papou encerra hoje a sua primeira viagem ao Chipre, onde chegou na quinta-feira, marcada por mensagens em defesa dos migrantes e em favor do diálogo, numa ilha dividida desde 1974.

O dia começou com a celebração daa Missa, de forma privada, na Nunciatura Apostólica, onde o pontífice se despediu dos funcionários, benfeitores e amigos, transferindo-se então para o Aeroporto Internacional de Larnaca.

Francisco foi recebido pelo presidente da República Portuguesa, Nicos Anastasiades, para um breve encontro privado.

Como habitualmente, o Papa enviou uma mensagem ao chefe de Estado, ao deixar o país, agradecendo aos cipriotas pela hospitalidade e o “caloroso acolhimento”.

Francisco destacou a importância histórica e estratégica do país, no Mediterrâneo, convidando a Europa a superar divisões, ideia que reforçou junto dos responsáveis políticos, criticando os “muros do medo” e o ressurgimento de interesses nacionalistas.

O Papa mostrou-se próximo da comunidade católica local, que representa 4,47% da população da ilha, e repetiu apelos em favor da unidade dos cristãos, num país de maioria ortodoxa, convidando a deixar para trás quaisquer “preconceitos”.

Cerca de 10 mil pessoas participaram no maior banho de multidão, a Missa de sábado no Estádio GSP, em que Francisco disse só a “fraternidade” pode responder aos desafios de uma sociedade fragmentada.

A Eucaristia contou com um discurso de saudação do patriarca de Jerusalém, D. Pierbattista Pizzaballa, que evocou a situação da última capital dividida do mundo, apresentando-a como uma “ferida profunda na ilha”.

Francisco é o segundo Papa a visitar o Chipre, onde Bento XVI, hoje Papa emérito, esteve em 2010.

Em 1974, a Turquia invadiu esta ilha do Mediterrâneo e autoproclamou a República de Chipre do Norte; desde essa altura, o lado norte da cidade de Nicósia está sob jurisdição turca, com uma zona tampão controlada pelas Nações Unidas

Foto: Lusa/EPA

O Papa deixou votos de que o país, “marcado por uma dolorosa divisão” se possa tornar, “com a graça de Deus, um laboratório de fraternidade”.

Francisco encontrou-se ainda com um grupo de migrantes, na igreja da Santa Cruz, em Nicósia, pedindo uma humanidade sem “muros de separação”, numa intervenção em que comparou o Mediterrâneo a um “grande cemitério”.

O Papa chegou a Atenas pouco depois das 11h00 locais (menos duas em Lisboa),sendo recebido pelo ministro grego dos Negócios Estrangeiros; duas crianças em trajes tradicionais ofereceram flores, seguindo-se a apresentação das respetivas delegações.

A viagem à Grécia começa com um encontro no Palácio Presidencial.

Esta tarde, o Papa visita o arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Jerónimo II; Francisco encontra-se depois com os bispos, os sacerdotes, religiosos e religiosas, seminaristas e catequistas na Catedral de São Dionísio, em Antenas.

No domingo, a viagem passa por Mitilene, capital da Ilha de Lesbos, onde o Papa visita pela segunda vez os campos de refugiados, antes de regressar a Atenas, para presidir a uma Missa para a comunidade católica (cerca de 1% da população da Grécia).

No último dia da deslocação, esta segunda-feira, Francisco recebe a visita do presidente do Parlamento grego, na Nunciatura Apostólica, e tem um encontro com jovens.

Esta é a 35ª viagem internacional do atual pontificado, iniciado em 2013; o Papa completa 85 anos de idade no próximo dia 17.

OC

Notícia atualizada às 09h00

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