Missa em Estádio de Nicósia evocou «ferida» de uma cidade partida em dois

Nicósia, 03 dez 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje em Nicósia, capital do Chipre, que só a “fraternidade” pode superar as divisões e receios na Igreja e na sociedade, falando perante milhares de pessoas reunidas no Estádio GSP.

“Perante toda a escuridão pessoal e os desafios que enfrentamos na Igreja e na sociedade, somos chamados a renovar a fraternidade”, referiu Francisco aos participantes na Missa a que presidiu esta manhã, no segundo dia da sua visita à ilha.

“Se permanecermos divididos entre nós, se cada um pensar apenas em si mesmo ou no seu grupo, se não nos relacionarmos, não dialogarmos, não caminharmos unidos, não nos poderemos curar plenamente da cegueira”, acrescentou, num comentário à passagem do Evangelho que tinha sido proclamada na celebração.

A Eucaristia contou com um discurso de saudação do patriarca de Jerusalém, D. Pierbattista Pizzaballa, que evocou a situação da última capital dividida do mundo, apresentando-a como uma “ferida profunda na ilha”.

Foto: pio.gov.cy

Desde 1974 que o lado norte da cidade de Nicósia está sob jurisdição turca, com uma zona tampão controlada pelas Nações Unidas – a presença de capacetes azuis entre os 10 mil participantes na Missa foi visível.

A homilia do Papa desafiou a minoria católica (cerca de 4,5% da população) a “suportar, juntos, as feridas”.

“Eis o sinal eloquente da vida cristã, eis o traço distintivo do espírito eclesial: pensar, falar, agir como um ‘nós’, saindo do individualismo e da pretensão de autossuficiência que fazem adoecer o coração”, afirmou.

A cura verifica-se quando carregamos juntos as feridas, quando enfrentamos juntos os problemas, quando nos ouvimos e conversamos. É a graça de viver em comunidade, de compreender o valor de ser comunidade”.

A celebração destacou, simbolicamente, a diversidade da comunidade católica na ilha, com várias comunidades migrantes, incluindo orações em latim, italiano, grego (antigo e moderno), inglês, tagalo e árabe.

Francisco desafiou os participantes a “anunciar o Evangelho com alegria”, agradecendo o empenho das comunidades católicas no Chipre.

Foto: pio.gov.cy

“Há necessidade de cristãos iluminados, mas sobretudo luminosos, que toquem com ternura a cegueira dos irmãos; que acendam, com gestos e palavras de consolação, luzes de esperança na escuridão”, afirmou.

Já no final da celebração, o Papa agradeceu a todos os que colaboraram para a realização desta visita á ilha e deixou uma palavra especial aos migrantes que ali “procuram uma vida melhor”.

Depois da Missa, Francisco almoçou em privado na Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé), onde se encontrou brevemente com o rabino-chefe do Chipre, enviando uma saudação a toda a comunidade hebraica da ilha.

O último encontro público da viagem ao Chipre, que se conclui este sábado, é o encontro de oração ecuménico na igreja da Santa Cruz, esta tarde, pelas 16h00 locais (menos duas em Lisboa).

OC

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