Olinda Marques participou no IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares com Francisco

Lisboa, 19 out 2021 (Ecclesia) – Olinda Marques, presidente do Movimento de Trabalhadores Cristãos da Europa (MTCE), participou no IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares com Francisco e contou à Agência ECCLESIA que ouvir o Papa designá-los por ‘poetas sociais’ lhe trouxe “emoção e responsabilidade”.

“No seu discurso o Papa Francisco trata-nos por ‘poetas sociais’ e, nem sei explicar, ouvir isto trouxe-me uma grande emoção, emocionei-me, mas ao mesmo tempo traz-nos, a cada Movimento popular e ao MTCE uma grande responsabilidade”, disse em declarações à Agência ECCLESIA.

“Vocês são poetas sociais porque têm a capacidade e a coragem de criar esperança onde apenas há descarte e exclusão; poesia quer dizer criatividade, e vocês criam esperança; com as vossas mãos sabem forjar a dignidade de cada um, das famílias e de toda a sociedade, com terra, casa e trabalho, cuidado e comunidade”, disse o Papa no encontro online.

Deste encontro, que aconteceu no último sábado e onde participaram três portugueses, a responsável pelo MTCE destaca a escuta, “um tema que não pode ser descuidado” e se torna tão necessário.

“No encontro tivemos oportunidade de escutar vários testemunhos, daquilo que o Papa designa por periferias, sejam empregadas domésticas, apanhadores de lixo ou trabalhadores precários e isso fez-me valorizar este ato de escutar o que eles têm para nos dizer, perceber que na sua dignidade de trabalhadores nos podem dar outra perspetiva”, admite.

Olinda Marques adiantou ainda que, ainda nesta fase de recuperação da pandemia, se torna necessária a “atenção à solidariedade e cooperação” que nasceu deste tempo difícil e à proteção do planeta.

“No MTCE temos três temas que vamos analisar e propor, o primeiro o salário universal, também referido pelo Papa Francisco como um passo para a igualdade; as preocupações ambientais e o equilíbrio do planeta e depois, olhando aqui também a realidade de Portugal, defendemos uma redução do horário de trabalho, para que haja mais tempo para a família”, apontou.

Do encontro, a entrevistada destacou ainda a sensibilização para os que “perderam tudo”, no tempo de pandemia, e para as desigualdades que “ficaram a descoberto”.

SN

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