Igreja: «Não tenhas medo de gastar a tua vida», pediu bispo de Angra ao novo sacerdote

D. Armando Esteves Domingues destacou que o sacerdócio é «um ministério de comunhão»

Foto: Igreja Açores

Angra do Heroísmo, 15 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra disse que a Fábio Silveira, o novo sacerdote da diocese ordenado este domingo, que “ser Presbítero não é uma função ou tarefa”, e que ”não tenha “medo de gastar a vida”, na homilia na Sé.

“Não é a atividade que salva o sacerdote; é a intimidade com o Senhor. Não é o muito fazer, mas o muito amar a Deus e aos irmãos. O sacerdote é, antes de tudo, um homem apaixonado por Cristo. Antes da missão, da organização pastoral, da administração ou das obras, está a amizade com Ele”, disse D. Armando Esteves Domingues, esta domingo, 14 de junho, na homilia da celebração enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo de Angra, na Missa Ordenação presbiteral do diácono Fábio Silveira, afirmou que “ser Presbítero não é uma função ou tarefa”, destacando que o “sacerdócio é um ministério de comunhão”, que existe para reunir, “reconciliar”, para aproximar e “construir pontes”.

“Nunca para dividir. Nunca para criar grupos fechados. Nunca para se colocar acima do povo”, salientou.

D. Armando Esteves Domingues, antes de ouvir as respostas do candidato ao sacerdócio às promessas, “perguntas que pesam”, afirmou que “são provocantes num tempo de perigosas aparências, de fácil maquilhagem de personalidade, de dualismos e polarizações”.

“Rezemos pela frescura deste Sim que nos toca a todos. Por isso, Fábio, não tenhas medo de gastar a tua vida. E vós, queridos sacerdotes jubilados, sois a prova viva de que vale a pena. Os anos ensinaram-nos que a fecundidade do ministério não se mede pelos resultados visíveis, mas pela fidelidade quotidiana”, desenvolveu, na celebração onde foram homenageados sete sacerdotes jubilados da Diocese de Angra.

Ao noto sacerdote, o bispo de Angra indicou que a Igreja ia confiar-lhe “um tesouro imenso”, mas pediu que nunca se esqueça que antes de ser padre, “é discípulo”: “Antes de seres enviado, és amado. Antes de falares de Cristo, és chamado a viver em Cristo”.

“Ama o povo que te será confiado. Ama os pobres. Ama os doentes. Ama os jovens. Ama os idosos. Ama aqueles que te compreenderão e aqueles que talvez nunca te compreendam. Ama os outros Presbíteros. Ama a Igreja. Ama a tua oração. Ama a Eucaristia. E quando vierem as horas difíceis — porque virão — recorda sempre o dia de hoje”.

Foto: Igreja Açores

“Recorda o altar diante do qual te entregaste. Recorda o povo que rezou por ti. Recorda o olhar de Cristo que te ama e chamou. E volta sempre à fonte. Porque Aquele que te chamou será sempre mais fiel do que as tuas fragilidades”, acrescentou.

A partir das proclamadas, D. Armando Esteves Domingues explicou que antes de haver ministérios, “há um povo amado” e antes da missão individual há uma pertença comunitária “onde o cristão de faz”, por isso, a ordenação sacerdotal, como qualquer outra vocação a seguir Jesus, “não é uma promoção nem uma conquista”, mas uma resposta “ao amor a Deus que a todos dá o Seu Espírito e adequados carismas”.

“A palavra escutada convida-nos, assim, a olhar para além do sacerdote e fixar o olhar em Deus, que, sempre fiel, continua a chamar homens e mulheres para o serviço da Igreja. Uma vocação não começa quando alguém decide ser padre, casado ou religioso. Começa muito antes, começa no coração de Deus”, indicou.

O bispo diocesano começou a homilia a falar de vocações e das famílias, “onde com os genes, se transmitem os valores e o amor a Deus”, por isso, realçou que precisamos muito de famílias com vocação para “suscitarem no seu seio um ambiente de oração e fé que permita a Deus entrar e chamar”.

Neste contexto, D. Armando Esteves Domingues saudou também o reitor do Seminário Episcopal de Angra e todos os formadores, “os atuais e os do passado, onde se inclui atualmente uma família”, Fábio Silveira é o último seminarista a fazer a formação toda nesta “grande Instituição formativa”,  desde o ano letivo 2024/2025 os seminaristas açorianos estão a viver e a estudar na Diocese do Porto, mas o seminário diocesano “não acabou, apenas tem vida mais exigente”, com formações, a Escola Diocesana para leigos, e acompanhar os seminaristas deslocados.

A Missa Nova de Fábio Silveira está marcada para o dia 21 de junho, uma semana após a ordenação sacerdotal, na igreja de Santo António do Monte, na Candelária, a comunidade onde “foi batizado, fez a catequese e onde nasceu a sua ligação à Igreja”.

CB/OC

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