Igreja: Movimento do Focolares é uma «inspiração para o mundo de hoje», mostrando que «é possível construir pontes, onde existem divisões» – Teresa Gonçalves

Movimento celebrou 60 anos de presença em Portugal, com encontro em Fátima, apontando ao futuro

Foto: Movimento dos Focolares

Lisboa, 27 out 2026 (Ecclesia) – Teresa Gonçalves, responsável da gestão de comunicação do Movimento dos Focolares, afirmou que a Obra de Maria pode ser um modelo para o mundo atual, apresentando o diálogo e a construção de pontes como caminho para a paz.

“O carisma da unidade, do Movimento dos Focolares, pensamos que pode ser uma inspiração para o mundo de hoje, mostrando, precisamente, que é possível construir pontes, onde existem divisões, é possível promover o diálogo, onde há guerras, onde há confrontos, é possível criar fraternidade, onde existe a indiferença, onde existe o individualismo”, disse hoje à Agência ECCLESIA.

A responsável apontou que o desafio é concretizar este ideal em atitudes do quotidiano e fazer com que quem está ao redor “perceba exatamente isso”.

“Nós [Movimento dos Focolares] não fazemos grandes coisas, é mesmo a tradução em gestos concretos, é o escutar realmente o outro, é respeitar as diferenças, é acolher quem é excluído, é reconstruir relações, isto é um slogan, trabalhar para a paz, mas é isso que nós pretendemos, trabalhar para a paz, mas no dia-a-dia”, referiu.

O Movimento dos Focolares celebrou seis décadas de presença em Portugal, com um encontro este domingo, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

“A celebração destes 60 anos foi para todos um momento festa, porque encontrámos pessoas que já não víamos há imenso tempo, mas foi sobretudo uma oportunidade para olharmos para o futuro, não ficarmos presos no passado dos 60 anos, mas olhar um pouco para o futuro e refletir também sobre a atualidade do carisma da unidade”, assinalou Teresa.

No evento comemorativo, a presidente e o copresidente do movimento, Margaret Karram e Roberto Almada, respetivamente, enviaram uma mensagem, lembrando o começo dos Focolares em Portugal, caracterizando-o como “simples, discreto: uma pequena semente plantada nesta terra abençoada” há seis décadas.

“E o que nós constatámos é que, ao longo destes 60 anos, esta sementinha foi crescendo e foi-se traduzindo em experiências muito bonitas de fraternidade, de partilha, de compromisso com a sociedade. E foi isso mesmo que nós vivemos em Fátima”, testemunhou Teresa Gonçalves.

“Não foi um foco no passado, mas um foco naquilo que resultou destes 60 anos, no presente, e de como é que nós vivemos hoje esta unidade que Chiara nos pediu”, acrescentou.

O núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu à Missa de Ação de Graças, transmitindo que “a unidade não é a uniformidade, é comunhão na diversidade construída através do amor”.

“E esta ideia foi particularmente importante no mundo em que nós vivemos. Porque muitas vezes pensamos que a unidade é apagar as diferenças, é pensarmos todos da mesma forma, mas não é nada disso, é aprender a encontrar o outro, mesmo que ele pense ou viva de uma maneira diferente”, salientou Teresa.

A entrevistada indicou que esta foi uma mensagem “transversal” ao longo do dia de comemorações, que registaram a adesão de mais de mil pessoas: “Nós também não podemos anunciar ao mundo a fraternidade se não procurarmos vivê-la nós”.

Teresa Gonçalves ressaltou o “convite à renovação” como um dos aspetos “mais significativos da celebração”.

Na mensagem que enviaram ao Movimento dos Focolares, a presidente e o copresidente confiaram-lhe para o futuro a missão de “prosseguir com coragem na ‘viragem da unidade’”.

“Ou seja, que a unidade não seja apenas um slogan, que muitas vezes nós fazemos disto um slogan. O que é que significa? Significa regressar à radicalidade do Evangelho e ao mesmo tempo colocar cada vez mais no centro a pessoa, a sua dignidade e a sua liberdade”, mencionou Teresa Gonçalves.

Foto: Movimento dos Focolares

Olhando à realidade internacional, marcada por guerras e violência, a responsável ressaltou que o Movimento dos Focolares procura no quotidiano promover a unidade.

“O movimento já está em todo o mundo e nós temos experiências muito, muito bonitas de construção de paz, de construção de laços, mas não coisas grandes, são sempre coisas pequeninas que contagiam quem está ao nosso lado, contagiam o outro e que procuram construir pontes”, reforçou.

“Realmente vivemos num mundo muito complexo. O que nós notamos é que, 60 anos depois, o sonho de Chiara Lubich, que era contribuir para um mundo mais unido, continua profundamente atual”, sublinhou Teresa.

O Movimento dos Focolares foi fundado por Chiara Lubich (1920-2008), na cidade italiana de Trento; está presente em Portugal desde 21 de fevereiro de 1966, quando duas jovens focolarinas brasileiras, Conceição Lins e Gehilda Cavalcanti, chegaram a Santa Apolónia, em Lisboa, para abrir o primeiro focolar.

Tem como finalidade principal contribuir para a realização da oração de Jesus ao Pai – “Que todos sejam um” – caracterizando-se pela unidade.

LJ/OC

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