A pandemia covid-19, a fragilidade da vida e o cumprimentos das orientações para o regresso do culto público católico marcaram as homilias nas dioceses de Portugal 

Foto: Diocese do Porto/João Lopes Cardoso

Lisboa, 10 mai 2020 (Ecclesia) – A Liturgia da Igreja Católica celebrou hoje o V Domingo da Páscoa, assinalando também o início da Semana da Vida, e nos comentários aos textos da Bíblia feitos nas celebrações diocesanas foi acentuada a centralidade de Jesus Cristo, “caminho, verdade e vida”.

Na Diocese do Algarve, D. Manuel Neto Quintas lembrou as incertezas do presente, que “lançam inquietação e medo em relação ao futuro”, e disse que é necessário a “firmeza e serenidade da fé”.

“’Não se perturbe o vosso coração’. Este convite escutado em tempos de pandemia, gerador de algum desconforto e insegurança, acolhido à luz da fé, desperta-nos para reconhecer e testemunhar a presença de Cristo em nós e na Igreja, tal como o grupo dos apóstolos”, afirmou o bispo do Algarve.

Na Sé de Angra, o bispo dos Açores lembrou a caminhada sinodal em curso na diocese, os desafios à solidariedade gerados pela pandemia, a necessidade de defender a vida digna “em todas as etapas” e a centralidade de Jesus para os cristãos.

“Nós não somos cristãos para seguir uma doutrina, para seguir um conjunto de normas, mas porque seguimos uma Pessoa, Jesus Cristo”, afirmou D. João Lavrador.

Em Braga, no Paço Arquiepiscopal, D. Jorge Ortiga presidiu à Missa e afirmou, na homilia, que  o tempo atual convida a “solidificar a identidade cristã”, considerando que “é chegada a hora de um cristianismo adulto, que se assume com todas as consequências” e desafiou os cristãos a ser “operadores do bem”.

“Estamos a procurar agora regressar à normalidade depois de um período de confinamento. Ousemos verificar se não temos muitas coisas que podem não ser necessárias. Reorganizemos a nossa vida. Façamos uma hierarquização das nossas atividades e coloquemos lá que, por causa de Cristo e para Cristo, teremos de fazer mais alguma coisa”, afirmou D. Jorge Ortiga.

Em Coimbra, D. Virgílio Antunes disse que, nos tempos de isolamento social, “as palavras são muito importantes”, o “anuncio da boa Nova é essencial” e “ir ao encontro dos outros cm palavra consoladoras e com gestos de solidariedade tem um valor infinito”.

“Que este tempo que estamos a viver seja de facto uma possibilidade nova e diferente para revelação do verdadeiro rosto do Pai, por meio do anúncio da Boa Nova, da realização das suas obras, com a colaboração e o contributo efetivo da comunidade cristã e da Igreja que somos que, que anuncia, que celebra e que age em favor dos irmãos”, afirmou o bispo de Coimbra.

O bispo do Funchal presidiu à Missa na Igreja da Boa Nova, no fim de semana em que recomeçam as celebrações comunitárias na diocese, e começou por dar graças por ser possível “reabrir as igrejas e celebrar a Missa com o povo”, após dois meses do mundo parado, com “rua desertas, praças sem ninguém, fábricas sem produzir, portos sem barcos, aeroportos cheios de aviões parados”, lembrando que “Deus não parou” e convida a descobrir o “caminho, a verdade e a vida”.

“Jesus não diz que sabe o caminho, não diz que é dono da verdade, nem que cada um deve encontrar a vida que pensar ser a melhor. Jesus diz que Ele mesmo é o caminho, a verdade e a vida”, afirmou D. Nuno Brás.

No blog “Mesa de palavras”,  o bispo de Lamego D. António Couto publicou a sua análise à Liturgia da Palavra desde V Domingo da Páscoa.

Na residência episcopal da Diocese de Leiria-Fátima, o cardeal D. António Marto afirmou que a “grande novidade da fé cristã”, que não existe em “nenhuma outra religião”, é a possibilidade de conhecer o rosto de Deus no “rosto humano de Jesus”.

“Se queremos conhecer o pensamento de Deus, conheçamos o pensamento de Jesus no Evangelho, Se queremos conhecer a vontade de Deus, conheçamos a vontade de Jesus nas Suas atitudes, nos Seus encontros, nos Seus gestos, na Sua palavra e então descobrimos o rosto de Deus”, afirmou D. António Marto.

Em Lisboa, na Missa que presidiu na Igreja da Portela, o cardeal-patriarca valorizou as iniciativas das comunidades cristãs para “corresponder às necessidades alimentares e outras de tanta gente”, disse que Jesus está “como possibilidade de vida inteira de Deus” nas casas, nos lares e nos vários serviços e referiu-se ao recomeço das celebrações comunitárias das Eucaristias, no final do mês de maio, apelando a “todas as cautelas”.

“Esperemos que tudo corra bem para que, no Pentecostes, a pouco e pouco e com todas as cautelas, com as orientações que a Conferência Episcopal publicou, possamos a pouco e pouco e com todas as medidas de higiene garantidas, abrir as celebrações comunitárias para quem puder estar, porque também os limites do espaço são muito grandes, segundo essas mesmas normas. Confiemos que tudo corra bem e no fim do mês tal possa acontecer”, afirmou D. Manuel Clemente

D. José Traquina presidiu à Missa na Sé de Santarém e lembrou durante a homilia “as pessoas que ficaram sem trabalho e sem rendimentos”, afirmando que a diocese está ajudar e “há muitos cristãos que estão no terreno a ajudar”.

“Vamos com esperança e cuidemos para já daquilo que é essencial, a vida humana das pessoas, manifestando aí generosidade e procurando que na proximidade da comunidade não se passe fome. É isso que muitos irmãos estão empenhados em fazer”, afirmou o bispo de Santarém.

O bispo de Setúbal, D. José Ornelas presidiu à Missa na Igreja matriz da Cova da Piedade, em Almada, e afirmou, na homilia, que Jesus não chama “diretamente para o céu”, mesmo que essa seja “a meta” de um caminho, que passa pelo compromisso de transformar este mundo”, onde “a Igreja é chamada a ser um laboratório do mundo novo, pregado e sonhado por Jesus, onde as pessoas se entendem, se ajudam e partilham os dons que recebem de Deus”, nomeadamente neste tempo de crise social por causa de uma pandemia.

“As nossas paróquias e instituições estão a dar ajuda a mais de 4.000 famílias (correspondente a cerca de 13.000 pessoas). Será necessário potenciar os meios necessários para atender ao número de casos que não cessa de crescer”, afirmou D. José Ornelas, acrescentando que os templos vão abrir,  se “possível antes do que tem sido anunciado”, para as celebrações e “também para a partilha com aqueles que mais precisam”.

Na Sé de Vila Real, D. António Augusto Azevedo afirmou que “a serenidade do coração” nos “tempos atribulados da atualidade”, que “virou a vida do avesso” para muitos, pode ser encontrada na fé em Jesus Cristo.

“Privados, pelo enquanto pelo menos, das expressões externas da fé, saibamos valorizar o crescimento espiritual de cada um e o despertar espiritual das famílias e das comunidades”, indicou o bispo de Vila Real, que se referiu também à necessidade da valorização da vida e a “novas modalidades de apoio e ajuda” que “vão exigir mais de todos” por causa do crescimento da crise social.

Na Igreja do Carmo, em Viseu, D. António Luciano referiu-se ao tema da Semana da Vida, que hoje se inicia e reflete sobre a “fragilidade da vida humana”, sublinhando que é uma problemática “muito atual no contexto da pandemia covid-19” e lembra a necessidade de seguir as orientações das autoridades de saúde e da Conferência Episcopal portuguesa para o período de desconfinamento

O bispo de Viseu lembrou o “valor inestimável da vida” e o realismo “da fragilidade, vulnerabilidade e da incapacidade da vida, por si própria, vencer”, referindo que “se não fossem os cuidados médicos e de enfermeiros, as mortes que foram bastantes e teriam sido muitas mais”.

PR

(em atualização)

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