«Migrantes não são criminosos, mas seres humanos vulneráveis», afirmam os responsáveis católicos

Cidade do México, 11 abr 2018 (Ecclesia) – Os bispos mexicanos emitiram uma nota pastoral sobre “a dignidade dos migrantes” onde criticam a atuação dos Estados Unidos da América e da administração Trump na gestão da fronteira entre os dois países.

Na sua mensagem, os membros da Conferência Episcopal do México afirmam a necessidade de “desenvolver todos os esforços no sentido de encontrar soluções” de “fraternidade e de mútuo desenvolvimento”, e de salvaguarda da “dignidade dos migrantes e de todos os habitantes dos dois países”.

“Só há futuro na promoção e defesa da igualdade de dignidade e na equidade de liberdade entre seres humanos”, referem os representantes da Igreja Católica no México.

Esta tomada de posição vem na sequência da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, em iniciar a construção de um muro de contenção na fronteira, esta segunda-feira, e também pelo envio de um contingente da Guarda Nacional norte-americana para a fronteira com o México.

Algo que já motivou também uma reação por parte do Governo mexicano, que disse que irá rever todos os mecanismos de cooperação entre as duas nações.

Os responsáveis católicos mexicanos recordam a recente tomada de posição dos bispos norte-americanos, de dioceses situadas no limiar entre as duas nações, como El Paso, California, Arizona ou Texas, que disseram que “a fronteira entre México e EUA não é uma zona de guerra”.

Subscrevendo essa reação, a Conferência Episcopal Mexicana reforça-a, afirmando que a fronteira “é chamada a ser isso sim um exemplo de unidade e de corresponsabilidade”.

“A única via para a nossa região é um futuro assente numa base de confiança e de desenvolvimento partilhado, não com muros de indignação e violência”, pode ler-se.

Quando foi eleito presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump avançou para a concretização de uma das suas bandeiras eleitorais: a construção de um muro de proteção numa parte da fronteira com o México.

A primeira parte do projeto começou esta segunda-feira, na região de Santa Teresa, e terá cerca de 32 quilómetros de extensão, num investimento estimado em cerca de 73 milhões de dólares.

Está também em marcha uma outra barreira no Estado do Novo México, sendo que o Congresso americano aprovou uma verba global de 1,6 mil milhões de dólares para este programa de combate à emigração ilegal.

Embora assumam que “os governantes mexicanos, no passado e no presente, não fizeram tudo para criar oportunidades de desenvolvimento às suas populações mais pobres e marginalizadas”, e por isso estas são obrigadas a procurar outras alternativas, os bispos católicos do México realça que isso “não pode justificar” a posição dos EUA.

“A construção de muros para dividir ou o recurso à violência não é conforme com a defesa da dignidade humana. Os migrantes não são criminosos, mas seres humanos vulneráveis que têm direito ao seu desenvolvimento pessoal e comunitário”, apontam aqueles responsáveis.

A fronteira entre México e Estados Unidos da América, delimitada em 1821, estende-se ao longo de mais de três mil quilómetros, envolvendo desde grandes áreas urbanas como San Diego e Tijuana a zonas despovoadas e desérticas.

Só em 2017, mais de 300 mil pessoas foram detidas por tentarem atravessar ilegalmente do México para os EUA em busca de trabalho e de melhores condições de vida, e pelo menos 412 migrantes perderam a vida nos arredores da fronteira.

Já este ano, foram registadas outras 18 vítimas, mortes que são sobretudo provocadas por longos períodos de exposição a um clima extremo e pela falta de acesso a cuidados de saúde, e uma parte mais reduzida atribuída a casos de violência.

JCP

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