Igreja/Media: Bispo de Angra reclama «descodificadores de verdade» contra desinformação

D. Armando Domingues pede ética informativa para combater os radicalismos no espaço digital

Foto: Igreja Açores/CR

Ponta Delgada, Açores, 12 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra defendeu, em Ponta Delgada, a urgência de uma ética informativa capaz de combater a desinformação e os radicalismos.

“Os jornalistas são fundamentais porque fazem uma interpretação autêntica da realidade”, afirmou D. Armando Esteves Domingues no encontro com profissionais da Comunicação Social, que ocorreu esta terça-feira no Centro Pastoral Pio XII, para assinalar o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja assinala no próximo domingo.

Segundo o portal ‘Igreja Açores’, o bispo diocesano alertou para a crescente dificuldade em distinguir os factos perante a manipulação informativa, sustentando a necessidade de reforçar a literacia mediática da sociedade contemporânea para assegurar a transparência.

“Hoje parece que precisamos de ‘descodificadores de verdade’, o que revela a falta de protagonistas responsáveis na comunicação”, observou D. Armando Esteves Domingues.

O responsável católico repudiou o aumento dos discursos de ódio no espaço público e apelou a uma presença responsável que privilegie a solidariedade e a compreensão mútua entre todos os cidadãos.

“A humanidade precisa de se reconhecer como uma só, igual em dignidade, e comprometida com a justiça”, sustentou.

O jornalista Osvaldo Cabral, um dos oradores do encontro, destacou o empenho histórico dos últimos pontificados em humanizar as inovações tecnológicas para as transformar em ferramentas estratégicas de diálogo e de proximidade com as causas sociais.

“Em vez de rejeitar as invenções, os pontífices procuraram sempre humanizar o progresso”, afirmou o antigo diretor da RTP Açores.

O especialista defendeu que o uso da inteligência artificial deve respeitar a centralidade da pessoa, evitando que as ferramentas digitais substituam a autenticidade e a singularidade do ser humano.

“Não se pode confundir o homem com as ferramentas, nem permitir que estas o substituam”, precisou.

O encontro decorreu no Centro Pastoral Pio XII e evocou o tema ‘Preservar vozes e rostos humanos’, proposto pelo Papa Leão XIV para o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

OC

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