Lisboa, 07 abr 2021 (Ecclesia) – O teólogo suíço Hans Küng, que participou no Concílio Vaticano II (1962-1965), faleceu esta terça-feira, aos 93 anos de idade na sua casa em Tubinga, Alemanha.

Padre desde 1954, Hans Küng defendeu a sua tese de doutoramento em Teologia sobre a convergência entre católicos e reformados relativamente à doutrina da Justificação; em 1960, tornou-se professor titular da Faculdade de Teologia Católica da Universidade de Tubinga e participou no Concílio Vaticano II, como especialista.

O cardeal Walter Kasper, antigo responsável pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé), falou ao jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, sobre a sua relação com o teólogo suóço, de quem foi assistente entre 1961 e 1964.

“No fundo de seu coração, ele era um católico. Claro que seu comportamento nem sempre foi assim, mas isso é outra coisa. Ele nunca pensou em deixar a Igreja e isso é muito importante”, aponta.

O cardeal revela que, no fim da vida, Küng teve uma “reaproximação” com o Papa Francisco, que foi informado do agravamento do seu estado de saúde e da sua vontade de “morrer em paz com a Igreja”.

“As diferenças teológicas permaneceram e não foram resolvidas, mas isso já não poderia ser discutido. No plano pastoral e humano, porém, houve uma pacificação”, conclui D. Walter Kasper.

O portal de notícias do Vaticano evoca a vida e obra de Küng, um “crítico da doutrina sobre a infalibilidade papal”, que em 1979 viu revogada a sua licença para ensinar teologia católica.

“Além de dedicar-se ao estudo da história das religiões, em particular as religiões abraâmicas, era conhecido pelas suas posições nos campos teológico e moral, com frequentes críticas em relação a certas questões da doutrina católica”, como o celibato sacerdotal, o sacerdócio feminino, a contraceção ou a eutanásia, sublinha o ‘Vatican News’.

Bento XVI recebeu Küng a 24 de setembro de 2005, numa audiência privada, debatendo o projeto de ‘Weltethos’, do teólogo suíço, que “destaca os valores morais sobre os quais convergem as grandes religiões do mundo”.

João Duque, pró-reitor da Universidade Católica Portuguesa e professor na Faculdade de Teologia, refere à Rádio Renascença que o trabalho de Hans Küng evoluiu no sentido de obras de divulgação, traduzidas em várias línguas, destacando a sua proposta de “encontrar os mínimos denominadores comuns a todas as culturas e religiões” para a construção de “uma base de princípios éticos mundiais que permitissem à humanidade entender-se pacificamente, suficientemente”.

OC
Notícia atualizada às 15h45

Partilhar:
Share