Responsáveis católicos pedem «redescoberta» da alma europeia
Cidade do Vaticano, 14 fev 2026 (Ecclesia) – Os presidentes das Conferências Episcopais de França, Alemanha, Itália e Polónia divulgaram um apelo conjunto à “redescoberta” da alma europeia, alertando para a ameaça dos nacionalismos num contexto de “guerra e violência”.
O documento, intitulado “A força da esperança”, é subscrito pelos cardeais Jean-Marc Aveline (Marselha) e Matteo Zuppi (Bolonha), juntamente com os bispos Georg Bätzing (Limburgo) e Tadeusz Wojda (Gdańsk), surgindo como eco ao convite do Papa Leão XIV no final do Jubileu.
“Vivemos num mundo dilacerado e polarizado por guerras e violência. Muitos dos nossos concidadãos estão angustiados e desorientados. A ordem internacional está ameaçada”, diagnosticam os responsáveis católicos.
Para os signatários, o atual cenário geopolítico exige uma resposta identitária do continente, recuperando os valores que estiveram na sua génese.
“Nesta situação, a Europa deve redescobrir a sua alma para poder oferecer ao mundo inteiro o seu indispensável contributo para o bem comum”, pode ler-se no texto, divulgado pelo portal de notícias do Vaticano, esta sexta-feira.
Os bispos recordam que, historicamente, “o cristianismo foi um dos fundamentos essenciais” do continente, moldando uma face “humanista, solidária e aberta ao mundo”.
O apelo evoca o legado dos “pais fundadores” – Robert Schuman, Konrad Adenauer e Alcide De Gasperi -, sublinhando que estes políticos, “inspirados pela sua fé cristã, não eram sonhadores ingénuos, mas os arquitetos de um edifício magnífico, embora frágil”.
A mensagem adverte contra visões redutoras do projeto europeu, insistindo que a União deve transcender a dimensão comercial.
“A Europa não pode ser reduzida a um mercado económico e financeiro, sob pena de trair a visão inicial dos seus pais fundadores”, sustentam.
Os líderes eclesiais recuperam o pensamento de Alcide De Gasperi para afirmar que “a Europa unida não nasceu contra as pátrias, mas contra os nacionalismos que as destruíram”.
O comunicado aponta “a tragédia homicida” da II Guerra Mundial (1939-1945) como o momento que alertou a geração fundadora para a “tentação dos regimes totalitários que se alimentam do nacionalismo para perseguir objetivos hegemónicos, cujo resultado só pode ser a guerra”.
Perante os desafios atuais, os bispos defendem a opção pela “resolução supranacional dos conflitos”, mantendo a prontidão para “retomar o diálogo, mesmo em casos de conflito, e a empenhar-se pela reconciliação e pela paz”.
O texto destaca a importância da presença dos crentes na construção do projeto comum, mesmo num contexto de sociedades pluralistas.
“É esta a urgência que os cristãos devem fazer sua para poderem então empenhar-se com determinação, onde quer que se encontrem, pelo seu futuro com a mesma viva consciência dos pais fundadores”, referem.
Os presidentes das quatro conferências episcopais concluem com o compromisso de partilhar “com todos os habitantes do continente europeu a sua esperança de uma fraternidade universal”.
OC
