Comunicação de D. António Francisco na apresentação do Plano Pastoral, que decorreu no Seminário de Aveiro, na tarde de 5 de Outubro de 2008 1. “Graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da do senhor Jesus Cristo” (Rom.1,7). Comecemos este dia com a saudação de S. Paulo aos cristãos de Roma. S. Paulo diz aos romanos que foi pelo Evangelho que foi chamado a ser apóstolo e diz-nos a nós que os cristãos de Roma foram igualmente chamados pelo mesmo Evangelho a “serem de Cristo”. “A vocação do apóstolo é modelo da vocação dos cristãos. Para ambos foi um acontecimento da graça divina revelada em Cristo. Mas a vocação do apóstolo é mais do que modelo. Foi por ela que ele se tornou testemunha qualificada do Evangelho”(D. Anacleto Oliveira – Um Ano a caminhar com S. Paulo, pág.56). Nas cartas, na vida, nas viagens, no trabalho de Paulo escreve-se a vida e a missão da Igreja. Assim se escreveram os Actos dos Apóstolos que tão bem nos falam da beleza e do encanto da Igreja nascente. Também nesta hora se escreve aqui mais uma bela página dos Actos da Igreja de Aveiro, escrita ao jeito de S. Paulo com alegria, com entusiasmo e com esperança, como um povo decidido a seguir Jesus Cristo. Também eu posso dizer de cada um de vós o que S. Paulo dizia do seu discípulo Timóteo e de tantos outros seus colaboradores: “Entregou-se comigo a servir o Evangelho” (Fil. 2,22). Abre-se hoje para a Igreja de Aveiro o novo caminho pastoral a percorrer ao longo de cinco anos. Temos o nosso olhar já colocado no horizonte do Jubileu Diocesano, a celebrar no ano pastoral 2012-2013. Que este tempo seja vivido a caminhar com S. Paulo nosso modelo e guia. Com ele aprendamos a ser discípulos e apóstolos. 2. Um olhar novo. Um horizonte diferente. O Plano Pastoral que hoje apresento à Diocese exige um olhar novo e projecta-nos para um horizonte diferente. Temos diante de nós uma meta definida, concreta e marcada no tempo: celebrar o jubileu dos 75 anos da restauração da Diocese. Proponho-vos um objectivo claro e imperativo: ser sinal da esperança cristã no mundo. A nossa presença e a reflexão ampla e abrangente que precedeu e preparou este Plano dizem da nossa disponibilidade para realizarmos um esforço pastoral comum, para que a Igreja Diocesana consciente na fé e renovada na caridade seja sinal de esperança para o mundo. Sabemo-nos todos necessários e queremo-nos todos envolvidos cultivando formas, meios e oportunidades para viver de Cristo e anunciar em seu nome o Evangelho. Queremos ser como diz S. Paulo aos Coríntios: “ uma carta de Cristo, ministrada por nós, escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas que são corações de carne”( 2 Cor.3,3). Convido-vos a ler e a escrever esta carta com o mesmo encanto com que se escreveram as páginas da restauração da Diocese, da sua organização pastoral, da construção dos seus Seminários e doutras necessárias estruturas pastorais, da afirmação pública dos cristãos de Aveiro, da realização do Congresso diocesano de Leigos e dos dois Sínodos Diocesanos, da fundação do Centro Universitário Fé e Cultura e do Instituto Superior de Ciências Religiosas. Convido-vos a escrever esta página nova da Igreja de Aveiro com novo ardor e renovado encanto. Convoco-vos para a missão. Desde já. A todos. Sem dispensar ninguém. Ao verem-nos disponíveis e generosos e ao sentirem-nos verdadeiros discípulos de Jesus, o Mestre e Senhor, outros se juntarão a nós guiados pelo mesmo Espírito de Deus. 3. A esperança como razão e a razão da nossa esperança. O futuro pertencerá àqueles que lhe oferecem razões de esperança. O próximo quinquénio pastoral tem a esperança como motor e como força propulsora das atitudes a cultivar e dos programas a realizar nas várias vertentes pastorais, como sejam: a iniciação cristã e a formação religiosa das crianças, jovens e adultos, a pastoral familiar, a vida de oração, a celebração dos sacramentos, a dinamização dos movimentos apostólicos e tantos outros sectores da acção pastoral. A esperança surge assim na Igreja diocesana como presença irradiante da renovação que se deseja e do serviço aos mais pobres que se prossegue. É este sopro do Espírito que desde o princípio do universo pairava sobre as águas dos oceanos, o mesmo Espírito do mistério da encarnação do Verbo de Deus, o mesmo que ressuscitou Jesus e que inflamou de entusiasmo e de coragem os Apóstolos na manhã de Pentecostes que hoje conduz e guia a Igreja de Aveiro. O Espírito é alma da Igreja e o primeiro protagonista da sua missão. A Igreja renovar-se-á na caridade e será sinal de esperança no mundo se fizermos de cada dia um dia de Pentecostes. É isto que vos peço e vos proponho. 4. Da unidade à comunhão Se cada baptizado como sabemos é responsável pela sorte do Evangelho, pede-se a cada um de nós que activemos o dom da fé que nos foi dado. Devemos fazê-lo na unidade e na comunhão como membros da comunidade eclesial. Nesta comunidade somos acolhidos. Aí fizemos a caminhada de iniciação cristã que queremos reavivar e aí queremos viver sempre e em toda a parte como adultos na fé. Convido-vos a viverdes este desafio prioritário que nos torne mais acolhedores, disponíveis, capazes de um maior e melhor trabalho em grupo, em equipa e em comunhão – nos movimentos, nos secretariados, nas vigararias de pastoral, na paróquia, nas unidades pastorais, nos arciprestados e na pastoral diocesana. A reorganização das estruturas e serviços de pastoral devem pautar-se por este espírito de comunhão que nos anima e determina. Revelemos desta forma e por este agir e sentir pastoral que a Igreja é ícone da Santíssima Trindade. Sendo comunhão primordial faz-se missão radical. A Missão Jubilar que vos anuncio e proponho nasce e procede desta comunhão de amor trinitário de Deus que nos ama, nos escolhe e nos envia. 5. Ao serviço da Caridade A Igreja de Aveiro dedicou o anterior ano pastoral ao serviço dos mais pobres. Não se esgotou a nossa missão nem se extinguiu em cada um de nós e na Igreja de Aveiro a generosidade e a caridade. Esta não acaba nunca. O serviço aos mais pobres exige atenção demorada e criativa. Implica proximidade e escuta. Necessita de persistência e de aprendizagem. Procura respostas novas e concretas para problemas novos e para pessoas concretas, únicas e irrepetíveis. É necessário ir ao coração dos problemas sociais para proteger os mais frágeis e promover a sua dignidade, fonte essencial de um novo olhar e de um novo agir. Um olhar e um agir guiados e iluminados pela esperança que nos move e que não engana. Contribuir para o bem comum e para a justiça social é responsabilidade de todos: pessoas individuais, Igreja e Estado. A acção da Igreja de Aveiro neste campo, as várias iniciativas programadas, as propostas de formação apresentadas, a Semana Social Nacional a realizar em Aveiro no próximo ano vão certamente intensificar e optimizar tanto bem já realizado e mobilizar toda a Comunidade nesta vanguarda de serviço afectivo e efectivo aos mais pobres. A pobreza não é uma fatalidade nem pode ser uma tirania a subjugar os mais frágeis ou desprotegidos. O bom combate da fé de que Paulo nos fala também é este: contra o mal, contra o pecado e contra a pobreza. 6. A Palavra na Vida e na Missão da Igreja Inicia-se hoje em Roma o Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Trata-se de uma oportunidade para despertar a Igreja para esta centralidade da Palavra de Deus na nossa vida de cristãos. Constituir nas famílias, nos grupos de vizinhança, nas paróquias e nos movimentos apostólicos grupos de oração, de leitura e de meditação da Palavra de Deus poderá ser uma bela forma de reavivarmos em nós o dom da fé, da esperança e da caridade para destes grupos surgirem equipas evangelizadas e evangelizadoras disponíveis para agir interventivamente na Missão Jubilar Diocesana. O Santo Padre Bento XVI que hoje preside à abertura solene do Sínodo dos Bispos pedia no dia 10 de Novembro passado aos Bispos portugueses que trabalhassem para que a Igreja em Portugal se organizasse, falasse mais de Deus do que de si mesma e fosse ao encontro do mundo a evangelizar. Devemos acolher este desejo como um imperativo e percorrer o caminho que o Santo Padre nos propõe. Também a Palavra de Deus rezada, celebrada, vivida e proclamada nos pode abrir horizontes de renovação e de esperança. 7. Protecção e Intercessão Partimos, caros sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas, para esta viagem de cinco anos, ao jeito de S. Paulo, dispostos a trabalhar como se tudo dependesse de nós e decididos a rezar… sabendo que tudo depende de Deus. Nunca perderemos na linha do horizonte próximo ou distante desta viagem a prioridade dada à pastoral vocacional que deve impregnar de espírito e de esperança toda a pastoral. Todos somos chamados em Igreja a sermos promotores das diferentes formas de realização vocacional, muito em especial das vocações de consagração. Queremos também aqui olhar o horizonte do futuro com esperança decididos a sermos sinal de esperança para a Igreja em Portugal e para o mundo. Desejo que nos acompanhe sempre a paixão pelo Evangelho e o entusiasmo pela missão. Por Cristo e convosco a Igreja de Aveiro será cada vez mais rosto da bondade de Deus, sacramento de Cristo e sinal de esperança no mundo. A recente abertura do Seminário e a futura construção da Casa Sacerdotal inscrevem-se também neste espírito e colocam-se neste horizonte de tempo. Confio este Plano Pastoral e a sua progressiva concretização à protecção terna e materna de Nossa Senhora, Mãe e Estrela da Esperança, como ainda recentemente o Santo Padre Bento XVI a invocava no Santuário de Lourdes, e à intercessão sempre abençoada de Santa Joana Princesa, nossa Padroeira. É sob o seu olhar que a Diocese de Aveiro e os seus bispos caminham ao longo destes setenta anos de vida como Diocese. É sob a bênção constante deste mesmo olhar que queremos continuar. +António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro

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