O historiador deu a conhecer o primeiro bispo de Lisboa e tem agora o projeto de publicar a história da Ordem Franciscana

Lisboa, 15 out 2021 (Ecclesia) – D. António Montes Moreira foi hoje homenageado no Centro Cultural Franciscano, em Lisboa, pelo percurso franciscano, académico e episcopal, que iniciou com uma “velha paixão que vem desde a escola primária” pelo estudo a História.

Primeiro diretor do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa (UCP), entre 1988 e 1992, D. António Montes Moreira disse em declarações à Agência ECCLESIA que a História é “uma forma de estabelecer ligação com o passado”, com o qual é necessário garantir também “fidelidade”.

Natural da Diocese de Vila Real, onde nasceu em 1935, D. António Montes Moreira iniciou a sua formação na Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) a meados do século XX e foi ordenado sacerdote em 1958; doutorou-se em História em 1964, em Lovaina, com uma investigação sobre o primeiro bispo de Lisboa, Potâmio; colaborou na fundação da Faculdade de Teologia da UCP, onde foi secretário entre 1968 e 1981.

Secretário-geral Conferência Episcopal Portuguesa entre 1999 e 2001, D. António Montes Moreira foi depois nomeado 43º bispo da Diocese de Bragança Miranda, até 2011, tendo sido, como bispo emérito, chefe da Delegação da Santa Sé na Comissão Paritária da Concordata.

“É uma atividade muito variada”, afirma D. António Montes, que na Ordem Franciscana foi superior provincial entre 1984 e 1991, e  conselheiro geral em Roma entre 1991 e 1997 e visitador geral dos Franciscanos da Terra Santa entre 1997 e 1998.

O bispo emérito de Bragança-Miranda agradeceu a homenagem de “muitos amigos” numa ocasião em que terminou a reunião da documentação, em 5000 páginas, do processo de canonização da Madre Virgínia, da Diocese do Funchal, e tem “o sonho” de publicar a História da Ordem Franciscana.

Para D. Manuel Clemente, que presidiu à sessão promovida pela da Província Portuguesa da Ordem Franciscana, a Revista Itinerarium, a Faculdade de Teologia e o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, a homenagem a D. António Montes Moreira é “muito devida e felizmente cumprida”.

“Estas pessoas, que trabalham sempre e trabalham bem e discretamente, nunca estão na ribalta. Mas é preciso que as ponhamos aí para serem um estímulo para as que estão na mesma senda”, afirmou à Agência ECCLESIA.

Para Paulo Fontes, atual diretor do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), o seu primeiro diretor, D. António Montes, criou um “horizonte novo e uma abertura nova do ponto de vista da História da Igreja, do cristianismo e da História Religiosa”

“Uma das suas grande qualidades foi a capacidade de escutar, acolher e apoiar: escutar o que para ele era gente que vinha de outros horizontes, não necessariamente da história eclesiástica. Ele não se colocou no centro, mas permitiu que funcionasse essa abertura e se criasse um verdadeiro centro de estudos”, afirmou Paulo Fontes.

Isidro Lamelas, franciscano, coordenou a obra de homenagem a D. António Montes Moreira “Supplicantes Veram Sapientiam: homenagem a Dom António Montes Moreira” e considera-o uma “figura da História”.

“Ele tem sido um homem, mesmo já como emérito, no ativo, muito presente, muito fraterno e muito franciscano”, sublinhou.

A sessão de homenagem a D. António Montes Moreira decorreu no contexto do 20º aniversário da sua ordenação episcopal, que decorreu na Catedral de Bragança no dia 14 de outubro de 2001.

PR

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