Estreia nacional da obra do compositor estónio Arvo Pärt

Lisboa, 23 Fev 2015 (Ecclesia) – A obra musical «Os três pastorinhos de Fátima» de Arvo Pärt é “uma música que não pede palmas” porque, simplesmente, “flui e termina”, disse à Agência ECCLESIA o compositor Alfredo Teixeira.

A peça musical «Drei Hirtenkinder aus Fátima» do compositor estónio teve a sua estreia nacional na Sé de Lisboa, esta sexta-feira, e fez parte do concerto evocativo dos três pastorinhos.

No seu catálogo, Arvo Pärt tem músicas de “muitas dimensões” e que se integram em “lógicas muito diferentes” por isso, o tempo diminuto da peça musical do compositor natural da Estónia não tem – segundo Alfredo Teixeira – “a vocação de se integrar numa peça mais longa”.

Apesar do hábito de associar a “intensidade musical à duração”, o professor da Universidade Católica Portuguesa sublinha que “como nas outras artes, a dimensão miniatural acaba por ter uma força expressiva muito grande”.

O programa do concerto teve características singulares e apresentou-se “sob o signo do paradoxo” porque os participantes foram convidados para uma experiência em que “a mais frágil” das obras, a menor em duração, se ofereceu “como o lugar culminante de uma viagem musical”, salientou.

Na economia de um “movimento ondulante”, a dicção aclamativa esboça “a ingenuidade própria de roda infantil”, considerou Alfredo Teixeira

Os protagonistas deste concerto – Coro Anonymus, com a direção musical de Rui Paulo Teixeira e o Coro infantil do Instituto Gregoriano de Lisboa, com a direção de Filipa Palhares – interpretaram obras do padre Joaquim Santos (Missa em honra dos pastorinhos de Fátima); de Eurico Carrapatoso (Caligaverunt oculi mei); Gonçalo Lourenço (Ave Verum); Alfredo Teixeira (Grava-me como selo (Lectio I)) e Arvo Pärt (Trivium).

Para o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, o concerto “foi uma presença significativa de Fátima em Lisboa”, no dia em que se celebrou a festa litúrgica dos beatos Francisco e Jacinta Marto.

Com a nave central da Sé de Lisboa completamente cheia, o padre Carlos Cabecinhas referiu ficou grato pela excelente moldura humana e conclui que “a música exige um coração aberto” para que a sonoridade toque em cada pessoa.

LFS

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