Instituição viveu dia de festa, evocando quem «criou uma família para os sem família»

Foto: Agência ECCLESIA

Miranda do Corvo, 11 jan 2020 (Ecclesia) – A Casa do Gaiato de Miranda do Corvo (Diocese de Coimbra) celebrou hoje o seu 80.º aniversário, num momento de festa vivido à espera da beatificação do seu fundador, o Padre Américo.

O padre Manuel Mendes, responsável pela instituição, disse à Agência ECCLESIA que, seguindo as orientações iniciais, esta casa soube “criar uma família para os sem família”, que chegavam, inicialmente, das ruas de Coimbra.

Desta “casa-mãe”, o Padre Américo seguiu para Paço de Sousa (Diocese do Porto), a sede da Obra da Rua, e outras localidades de Portugal e África.

“Estas Casas do Gaiato, o Calvário, o património dos pobres, são um sinal para uma Igreja que caminha, samaritana, também orante”, assinala o padre Manuel Mendes.

Ainda com a “prenda natalícia” do reconhecimento, pelo Papa Francisco, da figura do padre Américo como “venerável” (última etapa antes da beatificação), o sacerdote evoca alguém que “serviu os pobres até ao limite, até dar a sua vida”.

“A Eucaristia, a Palavra, os pobres foram, digamos, as suas mesas”, prossegue.

Foto: Agência ECCLESIA

Hoje, a Casa do Gaiato procura permitir que os “rapazes” possam crescer em contacto com a natureza, nesta quinta de Miranda do Corvo, como “família”, seguindo o lema do fundador: ‘Fazer de cada rapaz um homem’.

“Não podemos fazer dos rapazes, homens, num espaço fechado. Queremos libertá-los dos grilhões, para que sejam livres e responsáveis, também, na sua quinta”, aponta o responsável pela instituição.

O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, presidiu esta tarde à Missa na Casa do Gaiato, onde os primeiros rapazes entraram a 7 de janeiro de 1940.

Em declarações aos jornalistas, o prelado destacou o “carinho muito grande” dos portugueses pelo “pai”, Padre Américo, de modo especial pela sua obra e o legado que deixou, “de amor, de carinho para com os mais pobres, os deserdados”.

“A Diocese de Coimbra sente-se muito feliz por ter contado entre os seus sacerdotes com a figura do Padre Américo, que iniciou aqui esta obra da Casa do Gaiato, obra que continua a existir, continua a acolher crianças e jovens”, declarou.

D. Virgílio Antunes disse esperar que o fundador da Obra da Rua seja “beatificado e canonizado”, sustentando que “a Igreja e o mundo precisam de muitos homens com a envergadura do Padre Américo, todo voltado para Deus e todo voltado para os outros”.

Foto: Agência ECCLESIA

Considerando que há adaptações imprescindíveis, o bispo de Coimbra afirma que “a pedagogia fundamental é a do amor, da entreajuda, de uma casa em que todas as pessoas procuram estar ao serviço”.

“É possível constituir família na Casa do Gaiato”, apontou.

Após a Missa, decorreu uma atuação dedicada ao tema ‘Voz de Pai Américo’, seguida de convívio.

A 12 de dezembro de 2019, o Papa aprovou a publicação do decreto que reconhece as “virtudes heroicas” do Padre Américo, fundador da Obra da Rua.

Américo Monteiro de Aguiar, conhecido como Padre Américo, institui a Obra da Rua em janeiro de 1940, com a fundação da primeira Casa do Gaiato; o sacerdote nasceu em Galegos, Penafiel, a 23 de outubro de 1887, e faleceu no Hospital de Santo António, Porto, a 16 de julho de 1956, tendo sido sepultado na Capela da Casa do Gaiato de Paço de Sousa, Penafiel.

O reconhecimento das “virtudes heroicas” é um passo central no processo que leva à proclamação de um fiel católico como beato, penúltima etapa para a declaração da santidade; para a beatificação, exige-se o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do agora venerável.

O fundador da Obra da Rua, uma das figuras mais conhecidas da Igreja Católica em Portugal no século XX, dedicou a sua vida aos mais pobres, especialmente os jovens em risco, acolhidos nas Casas do Gaiato, e aos doentes incuráveis.

O processo de beatificação do Padre Américo foi introduzido em 1986.

LFS/OC

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