Quarto aniversário da «Laudato Si» apela às consciências de todos, «católicos ou praticantes de outras religiões»

Greve climática estudantil, Lisboa, Agência Ecclesia/LS

Lisboa, 24 mai 2019 (Ecclesia) – Cerca de cinco mil jovens aderiram, em Lisboa, à greve climática estudantil, desfilando desde o Marquês de Pombal até à Assembleia da República preocupados com as alterações climáticas.

“É uma alegria enorme perceber que este movimento chama cada vez mais pessoas e mais jovens que normalmente são tidos por irresponsáveis. Neste caso vemos uma verdadeira cidadania global e ativa”, explica à Agência ECCLESIA Pedro Franco, do departamento de educação para o desenvolvimento e advocacia social da Fundação Fé e Cooperação (FEC).

Este responsável alerta para a importância de uma “ecologia integral” como caminho para o “desenvolvimento”.

“Não conseguimos tratar do desenvolvimento dos países menos desenvolvidos sem responder às secas mais recorrentes que os agricultores em Angola e Moçambique sofrem. A produção decresce e o choro da terra é o choro dos pobres, como diz o papa Francisco”, sublinha.

Esta manifestação decorreu no dia em que se assinalam quatro anos da publicação da encíclica «Laudato Si», escrita pelo Papa Francisco.

Pedro Franco lembra que a ação da Igreja nas preocupações ambientais não iniciaram com a publicação da encíclica, em 2015, mas surge como “um reforço”.

“Antes da Laudato Si a Igreja já restava no terreno a trabalhar com as pessoas. Esta encíclica funciona como reforço no que está a fazer feito, num apelo a toda a Igreja não adie a preocupação com a ecologia integral”, afirma o responsável.

Vasco Ressano Garcia, 22 anos, estudante de mestrado em Ciência Política, afirma ter participado na manifestação “antes de mais”, por ser católico.

Estive em março por causa da mensagem do Papa para a Quaresma, sobre a criação”, lembra.

“Não estou sozinho, (participar na manifestação) merece ocupar o meu dia e isso ajuda-me pessoalmente e interiormente a colocar isto no centro dos meus interesses e preocupações”, afirma.

Também Beatriz Lisboa, aluna de Estudos gerais na Faculdade de Letras, acredita que as preocupações com as questões climáticas devem unir todos, sejam católicos ou praticantes de outras religiões.

“Quando nos deparamos com estas questões, sejamos praticantes ou não, implica temas mais profundos sobre a nossa existência. Há uma dimensão espiritual que todos temos que é trabalhada”, acrescenta.

Vasco Garcia reclama um discurso ecológico na pastoral, “que o Papa já tem feito”.

“A última exortação apostólica, «Cristo Vive», pede o envolvimento dos jovens. Isto é o cruzar de tudo o que sinto que, como católico, devo fazer. Passa pelo envolvimento dos leigos, da hierarquia da Igreja; isto é o centro, não é um tema secundário”, admite o estudante de Ciência Política.

A greve climática estudantil foi convocada por Greta Thunberg, uma jovem ativista sueca de 16 anos, que se encontrou com o Papa em março e recebeu o seu apoio para a “luta pelo futuro global”.

“Neste quarto aniversário da encíclica «Laudato Si» é fundamental que os católicos participem neste movimento”, sugere Pedro Franco.

LS

Igreja/Ambiente: Geração «Laudato Si» une-se à greve climática estudantil

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