Responsáveis da Igreja Católica e Igreja Lusitana sublinham necessidade de trabalho conjunto do campo da «ecoteologia»

isboa, 13 set 2021 (Ecclesia) – D. Jorge Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana, disse que as Igrejas devem perder o “receio de falar extra muros” e que ao fazê-lo em conjunto “o testemunho será mais forte”.

“Nós devemos perder algum receio de falar extra muros e se o pudermos fazer em conjunto, não apenas uma Igreja mas numa perspetiva ecuménica, o nosso testemunho será mais forte”, referiu à Agência ECCLESIA.

“O futuro da humanidade está no contributo à paz que as grandes religiões podem dar. Num mundo tão instável, sem um olhar confiante num Deus que envolve todos, ama a todos e quer que façamos estes projetos a pensar em todos, isto é cada vez mais atual”, acrescentou D. Armando Esteves Domingues, que preside, na Igreja Católica, à Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização.

As ‘Conversas na Ecclesia’ abordam, esta semana, a assinatura do ‘Eco Igrejas Portugal’, um memorando que tem como objetivo a promoção da ética da sustentabilidade, contida em princípios ecoteológicos, e a aplicação nas diferentes Igrejas e comunidades cristãs de indicadores de diagnóstico, educação e gestão ambiental, para uma melhoria contínua da sustentabilidade ecológica, e que junta, “pela primeira vez, os três ramos do cristianismo em Portugal”, possibilitando assim “a partilha de recursos”.

Esta assinatura é “fruto de um caminhar ecuménico” com “diversas décadas em Portugal” e que, indica D. Jorge Pina Cabral, “tem ganho diversas expressões” e mostrado “novas áreas de missão” entre elas “a integridade da criação”.

A assinatura do memorando aconteceu aquando da celebração dos 20 anos da lei de liberdade religiosa, dos 50 anos do Conselho Português das Igrejas Cristãs, e contou com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, conferindo, acredita D. Armando Esteves Domingues, “uma forte ligação à sociedade civil”.

“Uma das dimensões que hoje se percebe, que é também solicitada pelos organismos civis e políticos, é que as religiões possam ter o seu espaço e intervenção na vida pública. Este testemunho na vida pública é um desafio para as Igrejas, tomar posições sobre assuntos concretos que dizem respeito à vida das pessoas e contribuir, com outras organizações da sociedade civil, para a definição de novos caminhos, seja na área política, social e também ambiental”, sugere o responsável da Igreja Lusitana.

D. Armando Esteves Domingues lembra, por sua vez, que o memorando estabelece “bases que são desafios para a Igreja” atual e fala no impacto que os princípios ecoteológicos podem ter “na catequese”.

“É necessário que princípios éticos cheguem às comunidades cristãs e que estas sejam capazes de partilhar as boas práticas de sustentabilidade das próprias comunidades mas também como fator educativo, entendido na necessidade de educação global”, sublinha.

O responsável na Igreja Católica lembra ainda que neste processo de adesão e implementação do «Eco Igrejas Portugal» requer “escuta do mundo”.

“É importante ouvir o mundo. São Precisas todas as cores, músicas, todas as poesias para contar a natureza e também o homem. Temos de mudar estilos de vida. Se não conseguirmos chegar ai, a nossa luta é em vão”, finaliza.

LS

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