Responsáveis das Igrejas cristãs apontam impacto que memorando deve ter nos planos pastorais e na vida quotidiana das comunidades

Lisboa, 15 set 2021 (Ecclesia) – D. Jorge Pina Cabral, da Igreja lusitana, disse que a implementação do «Eco Igrejas Portugal» deve impactar a liturgia que precisa de “uma simbólica” ligada à Criação e falou em mudanças necessárias também nas homilias.

“A simbologia da Criação é riquíssima. A liturgia dominical é o centro da instrução e catequese do povo de Deus, é daqui que tem de irradiar a educação para o povo de Deus nos planos pastorais. Devemos ser capazes de dar valor e sublinhar aspetos nela contidos, que não temos tido capacidade se os realçar. A linguagem litúrgica é toda ela Criação”, explica à Agência ECCLESIA.

“Se homens e mulheres não forem capazes de discursar de nova maneira, vai ser difícil o povo de Deus aprender isso. Temos de por mais vezes o povo de Deus a falar e os bispos e o clero tem de ouvir mais o que têm a dizer, mesmo nas celebrações litúrgicas”, acrescentou.

D. Armando Esteves Domingues, presidente da Comissão Missão e Nova Evangelização da Igreja católica, fala da permeabilidade do memorando, assinado pelas Igrejas cristãs em Portugal, nas programações pastorais e nos percursos catequéticos.

“A instituição «A Rocha» continuará a fazer propostas, não vai ser cada comunidade a inventar critérios, mas precisamos de colocar nas programações pastorais, sobre quem reflete os novos percursos catequéticos na Igreja: sermos capazes de introduzir na nossa discussão, porque não basta serem belas propostas; têm de ter destinatários tendo em conta que mudam, sempre, e propostas que se adequem”, indica.

O responsável da Igreja católica fala em “laboratórios” onde a ecologia seja integrada, “não como algo de poético”, apela.

“São necessárias parcerias com organismos ambientais, escola, peritos, com estas ajudas que, dirigidas às Igrejas, a permitam mergulhar no mundo”, refere.

D. Jorge Pina Cabral fala em “linhas orientadoras” que o memorando introduz e que podem ser adequadas ao dia-a-dia das comunidades, tronando, por exemplo, os seus edifícios “mais sustentáveis” mas, alerta, as mudanças devem reconhecer “novos elementos”.

“Também nas homilias, temos de introduzir elementos novos de reflexão. Temos de sair de uma homilia muito virada apenas para a salvação da pessoa humana; Esquecemos que essa salvação só pode acontecer em ligação com a criação. Importa uma reinterpretação dos textos bíblicos, e isso também nos torna humildes”, afirma.

As «Conversas na Ecclesia» desta semana juntam D. Jorge Pina Cabral, da Igreja Lusitana, e D. Armando Esteves, da Igreja católica, que olham para o memorando «Eco Igrejas Portugal», e refletem sobre os desafios que este compromisso ecuménico lança na pastoral.

LS

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