Para sacerdote que estuda Teologia Pastoral, em Roma, a novidade do documento não está no capítulo VIII

Fátima, 05 mar 2018 (Ecclesia) – O padre Sérgio Leal, da Diocese do Porto, afirma que a exortação «Amoris Laetitia» “situa-se na novidade do mundo” onde a Igreja também está e traz o encontro com a novidade que “o Evangelho deve ter para cada tempo”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o sacerdote considera que a “grande novidade” da ‘Amoris Laetitia’ situa-se sobretudo no capítulo 2 e 4, onde o Papa se refere à “doutrina da Igreja”.

“Tantas vezes ouvimos dizer que falta a doutrina sobre o matrimónio e a família à ‘Amoris Laetitia’, mas ela está muito presente e muito clara”, frisa à margem do encontro/peregrinação da Federação Portuguesa dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM), em Fátima.

O padre Sérgio Leal explica que, no segundo capítulo do documento pós-sinodal, o Papa refere-se à “realidade da família hoje” e aos “desafios e implicações pastorais” dessa mesma realidade.

Neste contexto, refere como ponto fundamental “uma salutar consciência autocritica” por parte da Igreja Católica, que apresentou o ideal de matrimónio cristão “demasiado abstrato”, sendo antes necessária uma “atenção à realidade concreta”.

“Esta atenção traz como grande novidade palavras como acolher, acompanhar, e depois o primado da graça, uma palavra repetida vezes sem conta ao longo da exortação”, acrescenta.

Para o padre Sérgio Leal, que estuda Teologia Pastoral, a novidade da exortação ‘Amoris Laetitia’ não está “na nota 351 do capítulo 8” mas em “dizer de um modo novo o que sempre foi dito” na linguagem de hoje e na insistência na necessidade de “caminhar juntos, acolher, acompanhar, integrar.”

Sobre a “integração plena” das pessoas que “se encontram em situações de fragilidade”, o sacerdote considera que que o Papa se coloca “muito mais na ótica da questão”, para que depois cada Conferência Episcopal, cada diocese encontre o “modo de o fazer”.

“A novidade do capítulo 8 tem sido muito mais proveitosa em reflexões de algumas conferências episcopais, dioceses, quer de Portugal quer de outras, onde temos encontrado propostas interessantes traduzidas na realidade concreta e que importa reter”, assinala.

Segundo o padre Sérgio Leal a exortação papal apresenta como “primeira grande implicação” para os Centros de Preparação para o Matrimónio a necessidade de se conhecer a “realidade concreta” para que os noivos e esposos cristãos façam “uma experiência de encontro com Jesus Cristo”.

“É um grande desafio, quer de preparação imediata, como o percurso que o CPM propõe, mas sem esquecer uma preparação mais remota”, acrescenta.

Para o padre Sérgio Leal é necessário situar o matrimónio e a família no âmbito da evangelização, da cultura, e procurar habitar o sentido do humano, um terreno antropológico que permita dialogar “com crentes e não crentes” e dizer que “a proposta de matrimónio cristão é para todos os homens e mulheres”.

O sacerdote encontra outro “desafio muito grande para a Igreja contemporânea” na ‘Amoris Laetitia’ que é o de conseguir “percorrer um terreno antropológico” que permita ser escutado e compreendido, o que exige uma “mudança de linguagem”.

PR/CB

 

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