D. Pio Alves de Sousa, Bispo Auxiliar do Porto

A pandemia que sofridamente padecemos, entre muitas dores e apreensões, pôs de manifesto todo um mundo de generosidade.

Com efeito, desde o mais alto Magistrado da Nação até ao cidadão mais humilde, serão exceção os poucos que possam ter virado as costas a quem sofre as maldades do vírus. Toda essa legião de benfeitores merece o nosso agradecimento. O meu também.

Sem secundarizar ninguém, aqui e agora, quero referir-me apenas aos responsáveis pelos lares, especialmente aos membros das estruturas diretivas. E faço-o porque, aqui e ali, vão aparecendo referências que, se não tem, podem ter uma leitura negativa. Há modos de apresentação da contagem dos mortos que podem induzir os mais distraídos a pensar que se não fossem os lares os números de vítimas seriam mais baixos.

Mais baixos?! Abandonados nas suas casas, esquecidos, muitas vezes, dos seus familiares, aconteceria que só seriam contados como mortos dentro de semanas ou meses!

Uma alta percentagem da população dos lares, porque são bem cuidados, vai progressivamente aproximando as estruturas residenciais a estruturas de cuidados continuados. Compreende-se facilmente que surjam aí muitas das vítimas.

Percebo o esforço e o cansaço de quem tem a responsabilidade de gerir esta complexa operação da pandemia. Mas não são bonitas nem justas explicações, referidas aos lares, do tipo: nós tínhamos avisado …; nós tínhamos advertido …; nós tínhamos mandado …

Sabem, acaso, que às vezes, os responsáveis dos lares e também de outras valências das IPSS, são tratados por responsáveis oficiais quase como se fossem inimigos a abater? Sabem, acaso, que, com alguma frequência, as inspeções (legítimas e necessárias!) tem muito pouco de colaboração pedagógica e técnica e mais de “visitas de fita métrica” para verificar se faltam 2cm à porta? Sabem, acaso, que muitas instituições sobrevivem a duras penas e cada fim de mês é um calvário a contar os cêntimos?

Caros membros das Direções dos lares:

Apesar de algumas incompreensões, esta pandemia ajuda a perceber como fostes e sois imprescindíveis. Que seria do País sem o vosso trabalho! Sem as vossas canseiras e a generosa dedicação dos vossos colaboradores esta pandemia seria um pandemónio!

Muitos dos vossos “velhinhos” já não tem capacidade para vos agradecer. Agradece-vos a Sociedade. Agradece-vos Quem prometeu que nem um copo de água dado por amor ficaria sem recompensa (cfr. Mt 10, 42). E vós dais muito mais que um copo de água. Sois heróis entre heróis.

 

 

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