Guiné Equatorial: Papa exige «espaços de liberdade» e defende dignidade dos presos

Programa do segundo dia de visita ao país africano inclui passagem por prisão

Foto: Lusa/EPA

Mongomo, Guiné Equatorial, 22 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à defesa da liberdade e à salvaguarda da dignidade nas prisões da Guiné Equatorial, falando numa Missa para milhares de pessoas.

“Que cresçam espaços de liberdade e que a dignidade da pessoa humana seja sempre salvaguardada: penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldades; penso nos presos, muitas vezes obrigados a viver em condições higiénicas e sanitárias preocupantes”, disse Leão XIV, na Basílica da Imaculada Conceição, em Mongomo, onde chegou esta manhã.

Na segunda etapa da sua visita ao país africano, o pontífice apelou ao “empenho pessoal” dos membros das comunidades católica, a maioria da população.

“Que a fé, celebrada de forma tão festiva nas vossas comunidades e liturgias, alimente as vossas atividades caritativas e a responsabilidade em relação ao próximo, com vista à promoção do bem de todos”, desejou.

Perante o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder há 47 anos, o Papa pediu “sentido de responsabilidade” e “empenho partilhado em proteger a vida e a dignidade de cada pessoa”.

O lema da minha visita é ‘Cristo, luz da Guiné Equatorial rumo a um futuro de esperança’, e talvez seja precisamente esta a maior fome de hoje: há fome de futuro, mas de um futuro habitado pela esperança, capaz de gerar uma nova justiça, capaz de dar frutos de paz e fraternidade.”

Leão XIV sublinhou, na sua homilia, que a esperança cristã deve traduzir-se em ações concretas de transformação social e política.

“Que o Senhor vos ajude a tornar-vos cada vez mais uma sociedade em que cada um, de acordo com as suas diversas responsabilidades, trabalha ao serviço do bem comum e não de interesses particulares, superando as desigualdades entre privilegiados e desfavorecidos”, apontou.

Assinalando os 170 anos da evangelização no país, o Papa evocou os “tantos missionários, missionárias, sacerdotes diocesanos, catequistas e fiéis leigos que gastaram a sua vida ao serviço do Evangelho”.

Antes de entrar na Basílica, o pontífice percorreu o recinto em papamóvel e manifestou a sua alegria pela receção festiva, diante de milhares de pessoas.

“Que bonito encontrarmo-nos todos unidos para louvar o Senhor, para agradecer os seus dons, para receber a sua bênção”, referiu, em espanhol, numa intervenção espontânea.

O Papa abençoou a primeira pedra da futura Catedral da “Ciudad de la Paz”, a nova capital guineense, reafirmando o compromisso eclesial com a unidade.

“Queremos renovar o nosso compromisso de seguir Jesus Cristo, com fidelidade, na sua Igreja, na Igreja Católica, todos unidos, sempre”, disse.

A nova capital, anteriormente conhecida como Oyala, está a ser construída na região de Wele-Nzas, cerca de 65 quilómetros a oeste de Mongomo.

Leão XIV visita depois a  ‘Escuela Tecnológica Papa Francisco’, projeto que homenageia o anterior pontífice e o seu compromisso com a juventude através do Pacto Educativo Global.

A agenda do Papa inclui hoje a passagem por Bata, na costa norte, onde o pontífice visita uma prisão antes de homenagear as vítimas das explosões de 7 de março de 2021.

A tragédia no quartel de Nkoantoma, que causou 107 mortos e mais de 600 feridos devido à detonação negligente de explosivos.

A primeira viagem apostólica de Leão XIV a África, iniciada a 13 de abril com passagens pela Argélia, Camarões e Angola, termina esta quinta-feira com uma Missa no Estádio de Malabo, antes do voo de regresso a Roma.

OC

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