D. José Pereira presidiu à celebração aniversária da dedicação da igreja-mãe da diocese, destacando o impacto do novo instrumento da Sé na «oferta artística, teológica e espiritual» deste templo

Guarda, 22 out 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda defendeu hoje, na Sé da cidade, que a missão evangelizadora da catedral vai ser reforçada com o novo órgão de tubos, cuja montagem se inicia em quatro dias e a inauguração está prevista para final de novembro.
“Aumentam as potencialidades para que a nossa Catedral se assuma cada vez mais como referência evangelizadora para toda a diocese, nos campos da pastoral da cultura, do turismo, e da espiritualidade”, afirmou D. José Pereira, numa homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Segundo o responsável católico, “não se trata de replicar, tal qual, o que se faça” neste templo, mas de “inspirar, estimular, orientar, melhorar o que se faça nas demais comunidades cristãs”.
A diocese celebrou hoje a solenidade da dedicação da sua catedral, com uma Eucaristia ao final da tarde, que recorda a consagração do templo como casa de Deus e lugar de encontro da comunidade cristã.
Na intervenção, o bispo diocesano salientou que “as igrejas não se podem reduzir a ‘salas de espetáculo’ ou ‘cenários de eventos’, pela sua monumentalidade e sonoridade”.
“A arte e a cultura que se apresentem nas igrejas sejam sempre enquadradas pastoralmente, não só garantindo a não contradição com o espaço que as recebe, mas propondo uma interpelação evangélica que as envolva e acompanhe”, realçou.
D. José Pereira exortou a promover-se semelhante atitude na pastoral do turismo, observando que “as igrejas abertas ao culto são procuradas como locais de interesse turístico”.
“A Catedral é o ex-libris desta nossa cidade. Mas aquilo que elas testemunham não é apenas o que a memória visual ou fotográfica é capaz de captar. Elas transportam as esperanças e dores, os sonhos e realizações de um povo, traduzidos na sua fé, expressa localmente ao longo dos tempos”, lembrou.
O bispo da Guarda incentivou a que as “visitas que nelas acontecem sejam igualmente enquadradas pastoralmente, oferecendo, explicitamente, o Evangelho que ali se escuta e anuncia”, indicando que “mesmo quando passaram a ser propriedade do Estado, a sua identidade e utilização permanecem cristãs, ao serviço da missão evangelizadora”.
“O novo órgão permite maior qualidade da oferta artística, teológica e espiritual da nossa Catedral. O ambiente da Sé, a envolvente dos vários espaços e a oferta gráfica dos itinerários de visita favoreçam a abertura a Deus”, desejou.
Com cerca de oito metros de altura, quase cinco metros de largura e um peso aproximado de seis toneladas, o novo instrumento dispõe de 41 registos sonoros, distribuídos por quatro departamentos (positivo de costas, grande órgão, órgão expressivo e pedal) integrando cerca de 2.700 tubos.

O órgão construído pelo organeiro e organista francês Frédéric Desmottes, nas oficinas da sua organaria, em Landete, Espanha.
A homilia fez também referência à pastoral da espiritualidade que, segundo D. José Pereira, é um setor no qual esta Sé “fica mais bem preparada para se assumir como referência de aplicação da Reforma litúrgica, para todas as celebrações da Diocese”.
Também a “formação permanente para os diferentes ministérios litúrgicos – leitores, acólitos, cantores, músicos, regentes da assembleia, outros – e o seu habitual e alargado exercício na missa festiva dominical devem ser continuamente promovidos na Diocese a partir da Catedral”, declarou.
“A simplicidade seja nobre e nunca simplista. A participação seja atuosa e não só funcional”, expressou o bispo.
Na celebração, o responsável católico lembrou que “os templos de hoje não se afirmam como uma realidade sensível para os ritos e o maravilhoso”, caracterizando-os como “lugar onde o Corpo místico e vivo de Cristo se mostra presente, na comunhão dos fiéis, na oração e nos sacramentos”.
“À luz desta palavra, celebramos o aniversário da dedicação da Catedral. Não festejamos um monumento histórico nem um espaço para atividades rituais, entre outras. Celebramos o Corpo de Cristo que constituímos, unidos a Ele, e a vida nova nascida da Páscoa, simbolicamente manifestada nesta igreja mãe de toda a Diocese”, assinalou.
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